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Expresso

Bento XVI em Portugal

O Papa mudou do dia para a noite

«Nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja», disse o Papa em pleno Terreiro do Paço

António Pedro Ferreira

Foi um Papa diferente daquele que aterrou, esta manhã, no aeroporto da Portela, que subiu ao altar no Terreiro do Paço. Os milhares de fiéis que receberam Bento XVI com "Vivas" e uma chuva de palmas, conseguiram a proeza de adocicar um Papa, que apesar da sua timidez, não conseguia esconder um sorriso de alegria e um olhar de comoção. Clique para aceder ao índice do dossiê Bento XVI em Portugal

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)

Foi do dia para a noite, ou mais precisamente, da manhã para o fim da tarde. O Papa conhecido pela sua rigidez e falta de carisma mediático, chegou a Lisboa para as primeiras cerimónias oficiais sem deixar o seu lado formal e institucional. Foi assim na cerimónia de boas vindas, no Mosteiro dos Jerónimos e no Palácio de Belém. A mensagem foi dada, as referências à República e à certeza da separação dos poderes do Estado e da Igreja, foram entremeadas com os agradecimentos normais. Tudo com o rigor e o cerimonial próprio de um estadista e de um chefe do Vaticano.

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Mas, à entrada no Terreiro do Paço, no início da tarde e depois do seu primeiro grande banho de multidão, Bento XVI era um homem diferente. E os seus constantes apelos à "esperança" e à "alegria na fé" ganharam, naturalmente, nova força com as palmas de resposta dos milhares de fiéis que enchiam a maior praça de Lisboa e se estendia pelas ruas da Baixa e pela Praça do Município.

As mais altas figuras do Estado, desde Cavaco Silva a Jaime Gama, passando por José Sócrates e Silva Pereira, assistiram a um discurso que, mais uma vez punha a tónica na esperança, mas que não deixava de apontar o dedo aos pecadilhos da Igreja Católica.

Altas figuras do Estado presentes

As mais altas figuras do Estado, desde Cavaco Silva a Jaime Gama, passando por José Sócrates e Silva Pereira, assistiram ao discurso de Bento XVI

As mais altas figuras do Estado, desde Cavaco Silva a Jaime Gama, passando por José Sócrates e Silva Pereira, assistiram ao discurso de Bento XVI

António Pedro Ferreira

Depois do discurso a bordo do avião, onde o Papa claramente assumiu a necessidade da hierarquia católica passar por uma "purificação", de "aprofundar a necessidade de penitência", assim como de "pedir perdão e que se faça justiça", Bento XVI voltou a referir-se aos "pecados" da sua Igreja. "Sabemos que não lhe faltam filhos insubmissos e até rebeldes", mas, acrescenta o Papa, também "colou-se uma confiança excessiva nas estruturas e nos programas eclesiais".

"Igreja jamais será destruída"

A Igreja não é perfeita, assume o Papa, mas está longe de perdida. "Nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja", disse o Papa em pleno Terreiro do Paço, interrompendo a homilia para ser saudado com uma nova salva de palmas.

Tendo sido assim o primeiro dia da presença de Bento XVI em Portugal: do ponto de vista doutrinal, o Papa quer deixar claro que não está disponível para omitir ou silenciar os erros passados e presentes dos seus "pastores". Para prová-lo estão as palavras que já proferiu e que, sem nunca se referir directamente ao escândalo da pedofilia, acabou por o manter sempre presente nas suas intervenções.

Simultaneamente atento e crítico em relação aos "pecados da Igreja", o Papa não deixa de apontar um caminho e de usar e abusar da palavra "esperança". D. José Policarpo resumiu bem na sua intervenção o que se espera do Papa num dos momentos mais críticos da vida dos católicos. "Transmita-nos a vossa coragem de sofrer com serenidade", disse a Bento XVI.

Saiba todos os passos e horários do programa oficial da visita do Papa Bento XVI a Portugal, entre 11 e 14 de Maio clicando em Programa da visita de Bento XVI a Portugal