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Bento XVI em Portugal

Freitas do Amaral: Viagem de Bento XVI fica na história

Bento XVI "está a revelar-se um Papa diferente daquilo que pintaram quando foi eleito", sublinhou Freitas do Amaral, que falava no final do encontro com o "mundo da cultura" no Centro Cultural de Belém. (Veja o vídeo da SIC no final do artigo) Clique para aceder ao índice do dossiê Bento XVI em Portugal

O antigo ministro Freitas do Amaral considerou hoje que a viagem de Bento XVI a Portugal ficará na história pelas declarações feitas a bordo do avião, em que o Papa reconheceu a crise no interior da Igreja.

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"A sua [do Papa] já ficará na história", afirmou o fundador do CDS e professor universitário, referindo-se às declarações de Bento XVI a propósito do escândalo de pedofilia envolvendo membros do clero católico.

Bento XVI "está a revelar-se um Papa diferente daquilo que pintaram quando foi eleito", sublinhou Freitas do Amaral, que falava no final do encontro com o "mundo da cultura" no Centro Cultural de Belém. 

"É uma confissão que nenhum Papa tinha feito e é difícil de ver um líder de uma organização, mesmo que laica, a reconhecer que a crise está no seio da sua organização", afirmou Freitas do Amaral, realçando: "não é só um problema de confissão, arrependimento e penitência. É um problema de justiça, porque a pedofilia é um crime". 

Poder da palavra

Já o jurista Adriano Moreira resumiu a mensagem do Papa afirmando que este veio pedir "exemplaridade a todas as instâncias e dar direção à segurança humana" e disse que o discurso de Bento XVI representa "o poder da palavra contra os excessos da palavra do poder". 

O Papa Bento XVI defendeu hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a construção de "uma cidadania mundial fundada sobre os direitos humanos e as responsabilidades dos cidadãos". 

No seu discurso, perante figuras da cultura portuguesa, o Papa reconheceu que o "diálogo sem ambiguidades e respeitoso das partes nele envolvidas é hoje uma prioridade no mundo à qual a Igreja não se subtrai", salientando a presença do Vaticano em diversos organismos internacionais.

Diálogo com o mundo

Esta intervenção foi considerada pelo comentador político Marcelo Rebelo de Sousa "forte e interessante". 

Para Marcelo Rebelo de Sousa, que esteve no CCB, o discurso de Bento XVI teve sobretudo a novidade de falar na necessidade do diálogo com o mundo, evocada no Concílio do Vaticano II, disse à agência Lusa.

"Bento XVI tem sido acusado de ignorar este Concílio, mas, no entanto, fez aqui referência ao Papa Paulo VI na questão do diálogo com o mundo", apontou, considerando-a "um bom sinal".

Globalmente, o ex-líder do PSD considerou a mensagem de Bento XVI "inesperada e importante, por falar no diálogo e na renovação católica". 

Num registo mais nacional, Rebelo de Sousa destacou, na intervenção do Papa, a referência à "encruzilhada que a sociedade portuguesa vive: há um grande peso da tradição, e, por outro lado, surgem os desafios da modernidade".

Rebelo de Sousa comentou também que este desafio "não é só para os portugueses, mas também para a Europa no seu conjunto" e, nesta encruzilhada, "há uma clara necessidade dos cristãos irem ao encontro da modernidade".

O Papa Bento XVI está em Portugal desde terça feira, para uma viagem apostólica que, além de Lisboa, o levará também a Fátima e Porto.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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