Siga-nos

Perfil

Expresso

A menina repatriada

Casal Pinheiro pode visitar Alexandra "quando quiser"

Garantia é de Natalia Zarubina/Sarbach, mãe biológica de Alexandra, que há um ano viu o Tribunal de Guimarães retirar a custódia da filha à família de acolhimento portuguesa.

Natália Zarubina/Sarbach, mãe da menina russa que, há um ano, o Tribunal de Guimarães retirou à família de acolhimento portuguesa, afirma que não tenciona regressar a Portugal, mas frisa que João e Florinda, os pais adoptivos, podem visitar Alexandra.

"Para onde vou eu agora? Tenho aqui emprego, não posso ir de férias, porque comecei a trabalhar há pouco tempo. A vida está a organizar-se devagarinho", declara Natalia Zarubina.

Natalia Zarubina vive em casa dos pais, na vila de Pretchistoe, a cerca de 360 quilómetros a nordeste da capital russa.

"Podem visitar a Alexandra quando quiserem"

"Se o João e a Florinda quiserem visitar a Alexandra, podem vir quando quiserem. Sei que eles deram muito carinho à criança, ajudaram-na, por isso é natural que a queiram ver. Eu não estou contra. As minhas relações com eles não devem prejudicar a menina", sublinha Natalia.

Porém, a mãe biológica de Alexandra não acredita que isso venha a acontecer: "Eles telefonam, dizem que querem vir ter com a menina, mas depois arranjam pretextos para desistir da viagem: ora dizem que a Embaixada russa não concede vistos, ora estão doentes".

Natalia Zarubina queixa-se também da família Pinheiro fazer muitas promessas, mas poucos atos: "Desde janeiro que prometem enviar dinheiro para comprar o vestido de Alexandra para a festa dos finalistas do infantário, para outras coisas, mas nada recebemos".

Segundo a mãe, Alexandra já fala "perfeitamente bem" russo e já se esqueceu do português: "Esqueceu-se de tudo! Quando telefonam de Portugal, pedem para falar com ela, mas apenas sabe dizer olá e nem mais uma palavra".

Vida de volta à normalidade

Natalia Zarubina trabalha como costureira numa fábrica de confeções e o marido, Alexei Sarbach, cidadão ucraniano com quem Natalia se casou no ano passado, tem um emprego temporário numa serração de madeiras.

"Trabalhamos à peça. Quanto mais fazemos, mais ganhamos, o dinheiro dá para viver normalmente, não é muito mas vamos vivendo", frisa.

Também se normalizaram as relações entre a família Zarubin e as autoridades locais, que se queixavam de Natalia, quando se encontrava alegadamente alcoolizada.

"As autoridades não se metem connosco e nós também não fazemos mal a ninguém. Vivemos em paz", realçou Natália.

Integrada e prestes a entrar na escola

Entretanto, Alexandra prepara-se para deixar o infantário e entrar na escola.

"A festa de finalistas no infantário está muito próxima e a Alexandra está a preparar-se para ela. No outono, vai ingressar na escola", disse à Lusa a avó da menina, Olga Zarubina.

Segundo disse, "a menina está perfeitamente integrada, sente-se bem e cresce depressa".

Alexandra, agora com sete anos e filha de uma imigrante russa, estava à guarda de uma família de Barcelos há cerca de cinco anos quando uma decisão do Tribunal da Relação de Guimarães, confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça, determinou a sua entrega à mãe. Alexandra estava com a família de acolhimento desde os 17 meses de idade.

Após a decisão judicial, a criança foi levada para a Rússia e está a viver com a mãe e os avós na cidade de Pretchistoe, a 350 quilómetros de Moscovo.