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Expresso

Túnel do Marquês

Abertura depende dos testes de segurança

Obras concluídas, é tempo de verificar os equipamentos. Com dois anos e meio de atraso face à data inicial, o túnel abrirá em Abril, mas ainda sem dia marcado. Por fazer, fica a saída para a António Augusto Aguiar, a terminar dentro de um ano.

O túnel do Marquês de Pombal está em fase de afinações. A obra já está concluída e será amanhã entregue, de modo provisório, pela construtora à Câmara. Só abrirá quando todos os testes de segurança tiverem sido concluídos. “Estamos a pensar no mês de Abril” para a inauguração, disse na manhã de sexta-feira o vereador Pedro Feist, quando mostrava o local aos jornalistas. “Mas em obras públicas pode haver imponderáveis”, acrescentou.

Neste momento, está a ser verificada a operacionalidade dos equipamentos e dos protocolos, como a ventilação, a detecção de incêndios, as características do pavimento, os circuitos internos de TV ou a capacidade de resposta das diversas autoridades em caso de sinistro, entre outros exemplos. A sinalização no interior merece particular atenção e estará sempre à vista dos condutores: “Quando deixamos de ver um sinal já estamos a olhar para outro”, garantiu Vitor Damião, coordenador da obra.

O controlo da velocidade é um aspecto decisivo para a segurança do túnel. Sobretudo no troço entre a Artilharia 1 e a zona do Marquês de Pombal, em que a inclinação do terreno (de 9,3%), no sentido descendente, pode levar um maior número de veículos a alcançar velocidades perigosas. É por isso que nesta "zona mais crítica" será colocado um radar. Como nos outros pontos da cidade, o limite de velocidade no túnel será de 50 kms/hora. E a Câmara não vê necessidade de reduzir esse valor. “Com carros a 30 kms/hora haverá congestionamentos”, disse Damião.

Quando abrir ao trânsito, dentro de semanas, o túnel do Marquês de Pombal estará, contudo, incompleto. Está ainda por fazer um troço de 100 metros (que levará à saída da Avenida Fontes Pereira de Melo para a Avenida António Augusto de Aguiar). Para que essa escavação aconteça será necessário que o Metropolitano de Lisboa faça previamente o reforço de uma das suas galerias. Fonte do Metro disse ao Expresso que a obra só será adjudicada no próximo mês (Abril) e apenas deverá estar terminada “no final do ano”. Embora, como salientou, um prazo mais concreto dependa do projecto que vier a vencer o concurso. Esta manhã, o vereador Pedro Feist disse que a Câmara necessitará de três a cinco meses para concluir o túnel rodoviário. Assim, feitas as contas, só na Primavera de 2008 o Túnel do Marquês de Pombal está inteiramente concluído.

Chegará assim ao fim uma odisseia imaginada por Pedro Santana Lopes, cujas obras se iniciaram em Agosto de 2003. Um atraso devido à suspensão dos trabalhos originada pela providência cautelar apresentada pelo vereador José Sá Fernandes e outro imputável ao construtor (isto na óptica da Câmara) explicam a derrapagem de dois anos e meio no calendário. E quanto a custos finais, eles são neste momento impossíveis de fazer: um tribunal arbitral irá acertar as contas entre a autarquia e o empreiteiro.