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Expresso

Imigração: À procura do sonho europeu

Países do Sul da Europa debatem imigração

A questão da imigração e controlo de fronteiras é um problema que afecta toda a Europa.

A PRESSÃO espanhola para transmitir aos países da União Europeia (UE) a ideia de que o fenómeno da imigração irregular não é só um problema de Espanha, mas sim que afecta toda a comunidade, começa a dar os seus frutos.

No final deste mês, e com a aprovação da Comissão Europeia, vai celebrar-se em Madrid uma conferência de países do sul da Europa envolvidos nesta questão. Participarão, além da Espanha, representantes de Portugal, França, Itália, Grécia, Chipre, Malta e Eslovénia. Erkki Tuomioja, ministro dos Negócios Estrangeiros finlandês e presidente de turno da UE, confirmou, no passado dia 2, ao seu homólogo espanhol a autorização comunitária para realizar esta reunião.      

O objectivo do encontro é chegar a um consenso sobre uma série de critérios básicos relacionados com os fluxos migratórios em matéria de patrulhamento, vigilância, salvamento, resgate, identificação, retorno e repatriamento dos imigrantes. Com base nestes critérios será formulado um sistema de desenvolvimento europeu de gestão das fronteiras marítimas comunitárias. As conclusões e os acordos da conferência de Madrid servirão de base para que os chefes de Estado e de Governo da UE, que se reunirão a 20 de Outubro em Laht (Finlândia), adoptem uma posição comum sobre o problema e melhorem a actividade da Agência Europeia de Controlo de Fronteiras (Frontex), que até agora se demonstrou altamente ineficaz.

Noutro âmbito da cooperação, a nível bilateral, a Espanha começa a obter algum êxito com os países fornecedores de imigrantes irregulares. Marrocos, Mauritânia e Mali já aceitam o repatriamento dos seus nacionais, mas o Senegal (de onde sai a maioria dos «cayucos» ou canoas que chegam às Ilhas Canárias) tinha resistido até agora.

Na noite de quarta-feira 12, por via aérea, começaram por fim os envios dos "sem-papéis" que a polícia senegalesa, que se deslocou às Canárias especialmente para o efeito, identificou como nacionais do seu país. No dia seguinte, a vice-presidente do Governo espanhol assegurou no Parlamento que com essa colaboração se obtiveram outros resultados tangíveis, como a desarticulação de mais de 700 grupos mafiosos que traficavam com imigrantes a partir do Senegal e da Mauritânia. Mais de mil pessoas foram detidas por este crime nesses dois países africanos.