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Expresso

Imigração: À procura do sonho europeu

Madrid toma medidas contra asiáticos

Debaixo de uma avalanche de «cayucos», chegam agora às Canárias duas centenas de imigrantes asiáticos.

As duas centenas de imigrantes clandestinos asiáticos que se encontram a bordo da traineira "Al-Mari", sem bandeira, que na madrugada de sexta-feira foi interceptada pela Polícia Marítima espanhola, a quatro milhas das costas Canárias, serão provavelmente repatriados nas próximas horas, sem pisar "terra espanhola".

Trata-se do primeiro barco chegado as costas espanholas com imigrantes asiáticos, num momento em que as Canárias sofrem já uma avalanche de «cayucos» (pirogas) carregados com clandestinos senegaleses e de outros países africanos, pelo que Madrid pretende resolver o problema rapidamente. Daí, a criação imediata de um "gabinete de crise", composto por quatro ministros e vários secretários de Estado, sob a chefia da vice-presidente do Governo, Maria Fernandez Teresa de La Vega, que mantém negociações diplomáticas com os países de origem dos clandestinos asiáticos, com vista à sua expulsão imediata.

Segundo revelou ao EXPRESSO José Segura, delegado do Governo (governador civil) nas Canárias. "95% dos passageiros do 'Al Mari' têm a mesma nacionalidade", deixando entender que são paquistaneses. O que está claro, segundo o máximo responsável da Direcção-Geral da Marinha Mercante em Tenerife, Antonio Padrón y Santiago, é que o 'Al-Mari' não está em condições de voltar a navegar. "Com o casco comido praticamente pela ferrugem, entradas de água e os motores avariados, o barco representaria uma grave ameaça para a segurança marítima", disse ele ao EXPRESSO, depois de dois dos seus funcionários terem realizado uma inspecção técnica à traineira.

Por outro lado, os passageiros e a tripulação, supostamente africana, do 'Al-Mari', que permanecem no barco – rebocado para o porto de Santa Cruz (Tenerife) e rodeado por um importante cordão de segurança da Guarda Civil e da Policia Nacional – também não estão em condições físicas de voltar ao mar: passaram quatro dias sem comida nem água e 18 deles necessitaram de cuidados médicos em terra.

"O auxilio aos barcos em dificuldade e aos náufragos faz parte das leis marítimas, as quais são perfeitamente compatíveis com as leis espanholas destinadas a impedir a entrada de imigrantes clandestinos", explicava José Segura. "Neste caso concreto, temos um barco sem bandeira avariado, com passageiros que são ao mesmo tempo náufragos, imigrantes clandestinos e vitimas das redes de traficantes de seres humanos".

O delegado do Governo disse ainda que Espanha tem convénios de repatriamento com os países dos passageiros do 'Al-Mari', de modo que estes poderão deixar o barco nas próximas horas, para serem repatriados via aérea. Não terão, pois, de aguardar os 40 dias de "retenção" num centro oficial aplicados aos cerca de 25.000 clandestinos africanos que já chegaram este ano às costas canárias, a bordo de «cayucos».