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Expresso

Os segredos da revolução

Soares reúne apoios na Europa

O secretário-geral do PS, inicia um périplo europeu com a intenção de dar a conhecer o novo Portugal. A 2, é recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Grã-Bretanha, James Callaghan. O futuro primeiro-ministro inglês escreve ao seu homólogo norte-americano, Henry Kissinger, sobre o “útil encontro” com o português, que sugeriu que “a única pasta que o PS aceitaria” no Governo em formação seria a de primeiro-ministro.

Soares adianta que “declinaria o cargo de ministro dos Estrangeiros” e apresenta o PS como “a única força capaz de resistir aos comunistas, que, em sua opinião, contam com o total apoio da União Soviética”. O dirigente socialista mostra-se “muito impaciente” em avistar-se com Kissinger e visitar os Estados Unidos. Callaghan oferece-se como intermediário para um encontro. Acerca de Soares, o ministro britânico só tem palavras de elogio: “conheço-o há muitos anos e tenho uma grande confiança nele”, pelo que irá oferecer ao PS “ajuda técnica e organizacional, acreditando que um governo com a sua participação é o que melhores perspectivas oferece para o Ocidente”.

Kissinger responde de imediato a Callaghan (que trata por “Dear Jim”), a quem informa que o seu relato coincide com a conversa de Soares com o embaixador dos EUA em Bona, Martin J. Hillenbrand. Na opinião do responsável pela política externa norte-americana, “a situação em Portugal ainda é confusa e as intenções de Spínola não são claras”. Na capital da Alemanha Federal, Soares encontra-se também com o chanceler Willy Brandt, a quem explica as vantagens de integrar membros do PCP no Governo, por forma a “co-responsabilizá-los” pela política governamental. Ainda em Bona, avista-se com o embaixador da URSS, Valentin Falin; o embaixador americano faz questão de acentuar que a iniciativa partiu do soviético.

Segue-se Helsínquia, onde Soares transmite aos líderes sociais-democratas da Escandinávia os seus planos de integrar o futuro Governo, “talvez como primeiro-ministro”. Também aqui apoia a participação comunista no executivo.

A etapa seguinte é o Vaticano, onde é recebido pelo respectivo ministro dos Estrangeiros, o arcebispo Agostino Casaroli, que partilha as suas impressões com o embaixador dos EUA em Roma. Conta John A. Volpe que o número dois do Vaticano “sente-se incapaz de estar verdadeiramente optimista sobre o futuro” de Portugal. Tal como Kissinger, também Casaroli se queixa da falta de informações fidedignas, já que os relatórios do Núncio Apostólico em Lisboa, o arcebispo Giuseppe Maria Sensi, têm por fonte os anteriores contactos junto da Igreja e do Governo. Casaroli conta que esteve duas horas com Soares e que este lhe causou uma “impressão extremamente favorável, de uma pessoa inteligente, moderada e equilibrada”.