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Expresso

Os segredos da revolução

CDS ameaça auto-extinção

Pouco depois do 28 de Setembro (ver Expresso, 30 de Setembro de 2006), o número dois do CDS, Adelino Amaro da Costa, põe a embaixada ao corrente de uma “carta secreta” enviada pelo partido na sequência da resignação de Spínola. Dirigida ao Presidente Costa Gomes, ao primeiro-ministro e a outros responsáveis do MFA, a carta assegura que o CDS “nada teve a ver com as recentes tentativas da extrema-direita para derrubar o Governo Provisório” e garante o apoio do partido “a todo o programa do MFA”.

O que deseja afinal o CDS? Entrar no Governo, com pelo menos um ministério, de preferência “um ministro sem pasta, para mostrar [ao MFA] e a todo o país que existe lugar para uma participação moderada e conservadora” na esfera política nacional. Amaro da Costa pede sigilo e adianta que, caso seja negada esta pretensão, o CDS poderá contactar os líderes políticos e financeiros da Europa e EUA para  dar a conhecer a realidade portuguesa, “destacando que a tendência dos acontecimentos vai (...) no sentido do totalitarismo”. A segunda fase do plano do CDS, a pôr em prática até Dezembro, implicaria a “a dissolução do partido e o exílio voluntário dos seus principais líderes em França, de onde poderiam criticar o Governo de forma dura e severa”. Vasco Gonçalves convoca o presidente do CDS, Freitas do Amaral, para lhe comunicar que estava a considerar a proposta, mas que os partidos da coligação se tinham oposto à sua entrada no Governo.

Até agora ignorado pela embaixada, só em Outubro é que Otelo Saraiva de Carvalho passa a merecer alguma importância. Uma série de entrevistas suas são resumidas num telegrama, com um significativo comentário: “É a primeira vez que um membro do MFA ou do Governo lança publicamente calúnias à NATO ou à CIA (...). As observações respeitantes à CIA são perturbadoras. A suspeição sobre a CIA está muito espalhada e os comentários de Otelo sobre a CIA reflectem muito provavelmente o que muita gente em posições responsáveis pensa sobre essa organização”. A CIA, de resto, é o prato forte do discurso de Otelo no American Club, a convite da embaixada. Casa cheia, com cerca de 400 pessoas, para ouvir o estratego do 25 de Abril.