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Second Life: O jogo da vida

Vodafone faz chamadas no outro mundo

A Vodafone abriu uma ilha em Second Life e oferece chamadas grátis no novo serviço entre mundos

A partir de agora é possível fazer chamadas na rede Vodafone a partir de Second Life, para números da vida real. E receber chamadas do mundo real no mundo virtual.

José Antunes, enviado ao Second Life

Ainda em fase beta, até 30 de Novembro, o novo serviço da Vodafone chama-se InsideOut e faz exactamente aquilo que o nome indica: permite fazer chamadas de fora para dentro e vice-versa. Sendo fora o mundo real em que vivemos e dentro o universo de Second Life criado pela empresa americana Linden Lab.

O serviço obriga a passar pela ilha da Vodafone, justamente designada InsideOut, para recolher um dos telemóveis virtuais, grátis, que permitem aceder ao serviço. Uma vez equipado com o acessório e depois de feito o registo numa página da Vodafone na Internet e confirmando os códigos o avatar pode fazer chamadas dentro de Second Life para outros avatares, mas pode também contactá-los ligando para o telemóvel do mundo real.

Apesar deste cruzamento de fronteiras entre os dois mundos, a Vodafone preocupou-se em manter o anonimato dos avatares, pelo que o número do telefone introduzido pelo avatar na página Web é codificado para um número de Second Life, associado ao respectivo avatar, pelo que não é necessário distribuir o verdadeiro número de telemóvel por toda a gente que se encontra em SL. Basta ter o nome do avatar, introduzi-lo nos contactos e sempre que se deseje efectuar uma ligação seleccionar esse nome. O sistema trata de associar todos os dados para levar a chamada até ao destinatário. Assim o manga-de-alpaca gordo que em Second Life se faz passar por um temível ninja de hercúlea figura pode continuar a falar ou trocar mensagens com a loura espampanante que, na vida real é morena, de olhar vesgo e tem o nariz torto. Ambos mantendo a privacidade... e ilusão.

Grátis até Novembro

O serviço permite a troca de textos e voz entre telefones inscritos no programa InsideOut, mesmo quando os donos não estão online. É como ter, de facto, duas personalidades associadas ao mesmo telefone. Este serviço, já a funcionar - o jornalista do Expresso fez a inscrição e está a usá-lo -, surge na fase beta com algumas limitações em dois países: Estados Unidos e China. Problemas técnicos impedem o envio de mensagens de texto para os dois destinos, se bem que possam ser enviadas dali para outros países.

Excepto por esse aspecto - importante se pensarmos que muitos dos habitantes de Second Life estão nos Estados Unidos e a China tem um interesse crescente por mundos virtuais, a experiência da Vodafone parece funcionar perfeitamente, rasgando uma ponte entre dois mundos. A gratuitidade do serviço nesta fase, para chamadas realizadas a partir de Second Life - desde que os avatares não excedam os limites do razoável, sugere-se na informação disponibilizada pela Vodafone -, é um incentivo para que mais pessoas se inscrevam e usem o serviço. É, afinal, a melhor forma de a empresa de comunicações testar o interesse do mercado pelo serviço.

Até 30 de Novembro o InsideOut está em testes e é grátis. Depois disso as chamadas de Second Life serão cobradas a cerca de 300 Linden dólares por minuto (cerca de um dólar americano), enquanto as do mundo real para lá serão pagas segundo o plano de preços de cada utilizador, num sinal evidente de que a Vodafone abriu uma linha mais na sua rede de comunicações: agora permite falar para o outro mundo.

Law & Order

A série policial americana Law & Order antecipa-se a CSI:New York e apresentou um episódio em que os investigadores lidam com um mundo virtual fictício (não são todos?), AY, onde o avatar de uma mulher pode ser a chave para o desaparecimento de uma mulher na vida real. Mas a 24 de Outubro os americanos vão também poder ver um episódio de CSI: NY associado a Second Life. Chama-se Down the Rabbit Hole, título a lembrar Alice no País das Maravilhas.

Mundos virtuais ultrapassam jogos

"A indústria de jogos pode ter criado a ideia do entretenimento online, mas a era dos elfos e ogres dominando o espaço online está a chegar ao fim, afirma" Christopher Sherman, director executivo da Conferência de Outono dos Mundos Virtuais, que se realiza a 10 e 11 de Outubro nos Estados Unidos.

Para aquele responsável, o figurino do online está a mudar, e se World of Warcraft tem nove milhões de jogadores, Habbo Hotel tem 7.5 milhões de utilizadores mensais, e continua a crescer. Segundo dados da Gartner Research, 80 por cento da população online em 2011 estará envolvida em mundos virtuais e não em jogos.

Austrália financia artistas

O Conselho Australiano para as Artes atribuiu uma bolsa de 20 mil dólares australianos para um trio de artistas que vai criar em Second Life uma instalação virtual, a par com uma outra numa galeria do mundo real. Baseada na Torre de Babel, a instalação permitirá aos visitantes falarem aos microfones e verem as suas palavras traduzidas numa torre de palavras. Essas palavras vão por sua vez relacionar-se entre si e activar processos dentro de SL associados ao nascer do sol e ventos. A instalação pretende explorar as potencialidades da literatura, música e som num universo virtual.

Investimento em mundos virtuais

O investimento em mundos virtuais desde Outubro de 2006 ultrapassa um milhar de milhões de dólares distribuído por 35 empresas ligadas ao sector, revelou a Virtual Worlds Management, apontando para o investimento da Disney (700 milhões de dólares no Club Penguin) e a aquisição da Havok (responsável pelos efeitos físicos de SL) pela Intel, por 110 milhões de dólares como os maiores investimentos num mercado onde a agitação continua a crescer.