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Expresso

Second Life: O jogo da vida

Música e memória enchem noites

Os eventos de índole cultural são um dos aspectos mais importantes de Second Life: a recordação do Verão do Amor de 1967 e um musical em torno de Frankenstein são exemplos recentes a reter.

Joined by Heart, um musical baseado na obra da escritora Mary Shelley, subiu à cena a 4 de Agosto, em Second Life. Bem... na verdade subiu à cena na sala de espectáculos The Junction, em Cambridge, dias antes, mas teve direito a transmissão directa, em vídeo – sem avatares, portanto - para o mundo virtual, durante o fim-de-semana. O vídeo comprimido, até onde foi possível, para deixar espaço para o som, chegou à sala de espectáculos virtual, para uma audiência de menos de meia centena de pessoas, o limite técnico do espaço.
 
Seguindo a tradição deste tipo de espectáculos do West End londrino na vida real, existiam “regras” a observar para assistir ao espectáculo: era permitido bater palmas, rir ou fazer gestos, mas os excessos estavam condenados a um despejo sumário do espaço. E o avatar Texas Arizona, responsável pela ordem na sala, ainda teve de explicar a alguns espectadores que as regras incluiam também usar o IM (sistema de mensagens directo) em vez do canal geral, para não incomodar a assistência.

O exemplo do MP3

Para Geoff Meads, autor dos textos e engenheiro de som de Joined By the Heart, esta é a primeira vez, tanto quanto sabe, que um musical é transmitido através da web e dentro de um mundo virtual. Quando se lhe pergunta como se lembrou disso a resposta é simples: a forma de distribuição de música mudou muito com o advento dos leitores de MP3. É natural que o mundo dos musicais siga o mesmo caminho.  Geoff é um conhecedor das mutações do mercado. A par com uma carreira musical de sucesso é um estudioso de áudio e vídeo, especialista na calibração de ambos, membro de um painel de “experts” da área e “orelhas de ouro” de empresas e revistas de áudio. O interesse por novas tecnologias está-lhe no sangue.

A peça que escreveu com o director musical Graham Brown tem sido alvo de muito interesse dos críticos desde que em 2006 surgiu como finalista num concurso mundial da BBC para encontrar obras musicais. Após a apresentação em Cambridge – e SL – a peça seguiu para um festival de Teatro em Edimburgo.

Verão do Amor

Num outro extremo da oferta cultural de SL o fim-de-semana foi preenchido com uma recuperação do Summer of Love, o Verão de 1967 em que os jovens saídos das escolas, para férias, rumaram a Haight-Ashbury, em São Francisco, e deram uma inesperada visibiliade ao fenómeno hippie, com a reunião designada por Human-Be-In. Mais de cem mil jovens, muitos não americanos, criaram as bases de um movimento cultural que se estenderia por muito tempo e ainda hoje tem cultores. É curioso que nesta celebração de 40 anos do evento, Second Life tenha recebido uma manifestação, porque existem paralelismos com SL e o que sucedeu em São Franscisco então: os jovens que chegavam à cidade tinham uma série de coisas grátis à sua espera: comida, droga, amor e uma espécie de loja de conveniência onde podiam suprir uma série de faltas materiais. Second Life oferece também aos recém-chegados espaços onde podem obter quase tudo grátis. E dá-lhes comida, amor (ou sexo...) e droga, mesmo que virtuais.

Comunicação é a chave

O evento comemorativo, que começou sexta-feira, reuniu um leque de intérpretes que fazem o circuito dos locais de música de Second Life. A escola do ACHUB, uma organização não-lucrativa de ensino à distância de tecnologia musical foi o palco da festa. O músico chinês MoShang fechou o evento, por onde desfilaram figuras como a incontornável Juel Resistance, misto de Janis Joplin e Rickie Lee Jones, Rich Desoto, Picker Apogee, JamesDean Emert, Slim Warrior, Matthew Ebel, Jimmy Golding and the Rocking Daggers ou Dallas Horsefly. Nomes de avatares, claro... tal como o Professor Beliveau, professor universitário e músico, que esteve de corpo e alma no Summer of Love 67 e veio a SL dividir as suas memórias, enquanto dedilhava, bem, a guitarra.

Apesar da reduzida audiência, os dois dias de celebração do Summer of Love foram um sinal mais daquilo que realmente importa em SL: a capacidade de comunicar. Eram quase cinco da manhã em Lisboa quando a festa acabou e ainda havia europeus sentados nas bancadas. Ou passeando pelas galerias onde uma série de obras de arte traçavam, pela cor e forma, os sinais evidentes de um testemunho hippie ainda latente.

CURTAS DE SECOND LIFE

Impostos avançam

Segundo o jornal britânico The Independent, os serviços de IRS ingleses já começaram a investigar as pessoas que estão a obter lucros online no universo de Second Life. Segundo o porta-voz das finanças, Patrick O’Brien, as pessoas são livres de  fazer as transacções que entenderem, mas terão de pagar impostos quando os seus rendimentos excederem os limites determinados na lei do mundo real. Os residentes de Second Life com negócios abertos serão alvo de uma vigilância mais apertada, indicou a mesma fonte.

Use preservativos

Apesar de não se saber de qualquer caso de transmissão de doenças por via sexual – ou outra – em Second Life, a Universidade de Plimouth começou a distribuir preservativos no mundo virtual. São virtuais, claro. A oferta faz parte de um projecto de educação sexual lançado pela universidade. Os visitantes do “campus” podem obter literatura sobre sexo. Gratuitamente. Tal como os preservativos.

Conferência anulada

A primeira SLConference a realizar na Europa, em Berlim, de 16 a 18 de Setembro, foi cancelada. Segundo os organziadores foi impossível obter o suporte financeiro para promover o encontro, que visava reunir potenciais interessados – leia-se empresas – em assentar praça em Second Life. A  realização da conferência americana não está, como se calcula, ameaçada.

Filtro nacional

Durante uma entrevista à revista alemã Focus, Philip Rosedale, da Linden Lab, sugeriu que a empresa está a preparar um sistema que vai permitir aos diferentes países controlarem o acesso a Second Life  de acordo com a legislação em vigor localmente. Não adiantou, contudo, pormenores sobre o processo.