Siga-nos

Perfil

Expresso

Second Life: O jogo da vida

Espírito Santo na Segunda Vida

O Banco Espírito Santo abre esta tarde a sua representação oficial em Second Life para servir os 40 mil portugueses que já lá estão. A festa, hoje ao cair da tarde, promete surpresas, de música e regatas na Baía de Cascais até à provável presença do avatar do futebolista Ronaldo. Tudo virtual, claro.

O avatar de Ronaldo está pronto, mas invisível até que a negociação em torno da imagem do futebolista – ou da imagem virtual, neste caso – esteja concluída. Mas hoje pelas 19 horas de Lisboa, com ou sem a estrela do relvado presente, o BES abre o seu espaço oficial em Second Life. O edifício da instituição financeira ergue-se no meio de uma representação algo liberal mas suficientemente próxima da realidade para as pessoas não terem qualquer dúvida: trata-se da marina de Cascais, com a envolvente da Cidadela, nacos do jardim Marechal Carmona, e um farol de Santa Marta que é, por assim dizer, a coroa de glória da obra.

O farol é um exercício gráfico onde a fotografia tem um peso especial. Oliobrac Oh, o avatar do cineasta publicitário Paulo Carboila, é responsável por muito do que se vê ali. Fez as fotografias que serviram de base à reprodução virtual, e as que preenchem paredes de algumas salas do edifício. Um museu virtual espera os visitantes, confirmando a ligação ao Farol-Museu presente na realidade de Cascais. Reflexos nas janelas, texturas de paredes, empedrados, azulejos, tudo aponta para o farol. Em redor espalha-se uma versão livre da marina de Cascais – e menos caótica do que a original – onde até é possível pescar e o clássico passeio na baía, ao lado dos muros da Cidadela. Motas de água e embarcações para regatas virtuais esperam os visitantes. No trecho que reproduz o jardim Marechal Carmona pode circular-se de bicicleta e os que ousem aventurar-se a um mergulho nas águas vão descobrir um mundo submarino profusamente colorido, com peixes e mesmo golfinhos que deixam o visitante andar de boleia agarrado a uma barbatana. É, sem perder os laços de ligação à realidade, um lugar de sonho ao mais alto nível dentro de Second Life.

40 mil portugueses

O Expresso contactou o BES para saber a razão que levou a instituição a tornar-se na primeira do género, em Portugal, a entrar no mundo virtual. Segundo os responsáveis do banco “ a estratégia de crescimento do BES tem sido pautada por uma forte política de expansão em todos os canais. A rede de balcões BES cresceu 10% desde Janeiro de 2006, com a abertura de 61 novas agências. Neste contexto, a entrada do BES no Second Life surge como introdução de mais um canal de interacção do banco com os seus clientes.

Portugal é o 12.º país em número de utilizadores activos do mundo virtual Second Life, registando uma subida de dez lugares em três meses, segundo os dados estatísticos de Junho divulgados pela Linden Lab. Este fenómeno salienta a pertinência da entrada do BES neste mundo, reforçando o seu posicionamento de marca abrangente e próxima.

"O BES enquanto instituição bancária inovadora e atenta às tendências do consumidor, não podia deixar de aproveitar a oportunidade de ser o primeiro banco português no mundo virtual, entrando em contacto com mais de 40.000 portugueses registados. A sua presença no mundo virtual passará, não só pela existência de um balcão, réplica dos balcões reais do BES, mas também pela criação de um espaço BES, dedicado ao lazer e à cultura. Além da comunicação dos seus produtos, o BES pretende divulgar os seus valores."

A entrada no SL, adiantam, “representa essencialmente a introdução de um novo meio de interacção com os nossos clientes.”  O objectivo é ter “uma presença que, sendo pioneira, reforça o posicionamento de marca inovadora, abrangente, próxima e jovem, atenta às novas tendências de comportamento do consumidor.”

Balcão em Cascais

O mundo online interactivo, de que o Second Life é um bom exemplo, é, no entender dos responsáveis por este passo, “uma presença imperativa para uma marca que compreende que o consumidor tem novos hábitos, novos interesses, novos comportamentos e necessariamente novas expectativas na sua relação com as marcas. Diálogos efectivos implicam novas regras de abordagem que moldam as tradicionais e que as activam. Os Lions de Cannes premiaram muitas estratégias de comunicação a 360º onde os factores de sucesso passaram por dominar novas ferramentas e integrá-las harmoniosamente com as tradicionais. Os exemplos que nos vêm do oriente, onde os jovens privilegiam massivamente o online como o meio de relação e interacção, obrigam-nos e inspiram-nos a encarar com mais atenção estes novos espaços de comunicação. Um exemplo extraordinário de mudança do comportamento do consumidor é a moda de as teenagers em shangai se reunirem à 6ª feira à noite para ir dançar e conviver a uma discoteca virtual! E quando questionadas sobre as suas referências relacionais, elegem o mundo virtual com o centro de influência e as relações como as mais fortes, sem barreiras e com efectiva afinidade. A realidade portuguesa é hoje distinta, mas as novas gerações e os 'early adopters' correm o risco de ser esquecidos numa comunicação que não aprenda a sua linguagem. O futuro exige um investimento. O retorno será medido pelo sucesso da aprendizagem.”

Cascais é o local escolhido pelo banco para inscrever a sua sede social virtual. De acordo com informação prestada ao Expresso “ao conceber a sua entrada no Second Life, o BES pretendia recriar uma zona portuguesa. Das várias hipóteses em cima da mesa acabou por se optar pela zona costeira de Cascais, por ser uma das mais bonitas zonas costeiras do nosso país. Ao recriar a marina de Cascais, associando o mar e o verde para fazer uma zona ecológica, o BES pretende desenvolver uma zona cultural e de lazer agradável. Apesar de poderem voar e teletransportar, os avatars têm reconhecido os benefícios de uma regata, de um passeio de barco ou de jetski, como formas de passar um bom bocado. Desta forma, a marina de cascais BES assume-se como centro de lazer e o forte como centro de cultura com as suas exposições e eventos.”

Adaptar ao consumidor

Um espaço marcadamente cultural e lúdico e também para toda a família, o projecto foi desenvolvido pela ARCI, Associação Recreativa para a Computação Informática que tem como responsável José Rocha (Rocky Mushahi), que também concebeu o simulador. A consultoria de Internet foi feita por Pedro Janela (Pet Whitfield). Para a ARCI este trabalho traduz-se no apoio do BES a projectos de índole social que a associação mantém.

Ao entrar no Second Life o Banco Espírito Santo pretende “reforçar o posicionamento de marca inovadora, abrangente, próxima e jovem, atenta às novas tendências de comportamento do consumidor;  adquirir conhecimento/experiência e adaptação a novos espaços de comunicação e novas formas de consumo; começar a incorporar este meio como mais um canal a integrar nas estratégias de Marketing e Comunicação.”
 
Numa fase de lançamento, o espaço BES no SL destina-se simultaneamente à comunicação dos produtos BES e à promoção de uma espaço ecológico, destinado ao lazer e à cultura. Contudo, indicam os responsáveis, “vamos estar atentos de forma a nos adaptarmos às exigências do consumidor do mundo virtual.”

Um grupo de três pessoas do BES esteve envolvido no projecto. Apesar “de não serem utilizadores activos do SL, conhecem bem o mundo virtual, fruto de uma profunda pesquisa. No decorrer do projecto alguns dos intervenientes já se tornaram utilizadores activos, rendendo-se aos encantos do mundo virtual.”

Esta tarde, o Espírito Santo abre as portas, na Segunda Vida.