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Expresso

Sabores Únicos

Fresca, em geleia ou num molho

As nespereiras chegaram à Europa com uma função meramente decorativa, mas acabaram por se transformar numa entre muitas árvores de fruto mediterrânicas.

Jorge Simão (coordenação e fotografias) e Teresa Resende (texto)

Dissimulada entre outras árvores de fruto em pomares, ou sozinhas em pose de adorno à entrada das casas, as nespereiras parecem fazer parte do território nacional desde sempre. Mas a verdade é que são ocupantes muito recentes das nossas terras. A espécie Eriobotrya japónica chegou à Europa apenas no século XVIII, como árvore ornamental vinda do Japão - embora seja originária do Sudeste da China. E só no século seguinte se generalizou o consumo de nêsperas nos países mediterrânicos.

Em Portugal, praticamente só no Algarve é que se produzem nêsperas de estufa, pelo que é raro encontrá-las fora de época. Ainda assim vale a pena procurar esta fruta nesta altura do ano. Além de doce e suculenta, é rica em vitamina C, cálcio e fósforo. Normalmente, come-se fresca, mas é óptima para fazer geleias e compotas, uma vez que tem muita pectina, um conservante natural. Também se presta a confecções inesperadas, como o provam as propostas do chefe Guerrieri: um molho e um "chutney", o primeiro para acompanhar carnes, o segundo para enriquecer uma simples tosta.

10 a 15 nêsperas; 2 pimentos vermelhos; 2 colheres de sopa de cebola picada; 2 colheres de sopa de coentros; sumo de 1/2 limão; piripiri (opcional); 1 colher de chá de mel

Disponha os pimentos num tabuleiro e coloque-os a assar no forno aquecido a 180º C (até a pele ficar quase queimada). Retire a pele e as sementes dos pimentos. Corte-os em pequenos cubos e deixe-os arrefecer. Descasque as nêsperas, retire-lhes os caroços e corte-as em pequenos cubos. Depois, junte todos os ingredientes, mexa-os bem e deixe-os a marinar uma hora antes de servir. O chutney é melhor servido à temperatura ambiente.

2 peitos de pato grandes (com pele e temperados com sal e pimenta); 8 a 10 nêsperas (sem pele e caroços, cortadas em peq. cubos); sumo de 1/2 limão; 1 c. de chá de manteiga; 1 c. de chá de gengibre fresco cortado fino; 1 copo de ginja; 1 c. de sopa de mel; azeite; sal e pimenta q.b.

Aqueça azeite numa frigideira antiaderente e junte o peito de pato com a pele virada para baixo. Frite em lume médio até ficar crocante; vire a carne e faça o mesmo do outro lado. Retire da frigideira e deixe arrefecer. Corte o pato em fatias finas e coloque-as num tabuleiro (antes de o servir, aqueça previamente o forno a 180º C e cozinhe-o durante 10 m). Remova toda a gordura de fritar a carne. Volte a colocar a frigideira ao lume, junte a manteiga, o gengibre, o mel e a ginja. Reduza para metade e junte as nêsperas. Cozinhe até obter um molho. Rectifique os temperos e sirva com o magret fatiado.

"Restaurante Mezzaluna" Rua Artilharia 1, 16 Telef. 213 879 944 Lisboa