Siga-nos

Perfil

Expresso

Referendo sobre o Aborto

Sócrates dia Sim, dia Não

Agora, é o secretário geral do PS quem marca a campanha: ou tudo, ou nada.

Dia sim, dia não, o líder do Partido Socialista vem a público marcar o discurso da campanha do referendo ao aborto. No domingo, lançou uma sessão de esclarecimento para explicar que a lei da Interrupção Voluntária da Gravidez só muda se o Sim ganhar. E, de uma assentada, Sócrates tirou o tapete aos seus adversários do Não – e principais partidos da oposição – que agitavam a bandeira de  uma terceira via, através da despenalização.
Ontem, Sócrates apelou ao voto de "todos", para ganhar terreno à abstenção que no último referendo acabou por ser o grande vencedor. A campanha entrou na recta final e, com ela, a discussão passou definitivamente para o campo da luta política.

Domingo, numa sessão se esclarecimento, no Centro Cultural de Belém. Ontem, no Porto, num encontro promovido pela bancada parlamentar do PS. Amanhã, num jantar-convivio na FIL. Esta é a agenda do secretário geral socialista para a campanha pelo Sim. Entre as tarefas de primeiro ministro e de líder partidário, José Sócrates não poupa palavras nem quilómetros para passar bem a mensagem. "Esta é uma questão de consciência e por isso não nos devemos abster, deixando outros decidir por nós", disse, esclarecendo que "este é o momento para cada português dizer o que pensa", independentemente do sentido do seu voto.

O apelo ao voto e o combate à abstenção é uma das grandes metas dos socialistas. Em 1998, com António Guterres à frente do PS, o partido não contou com o seu líder na frente da batalha e, apesar das sondagens apontarem para uma vitória do Sim, a abstenção recorde de 68% acabou por dar uma derrota aos socialistas e penalizar todos os partidos de esquerda. "Aprendemos a lição", disse Vitalino Canas no arranque da campanha. José Sócrates não tem dúvidas que as batalhas se ganham no terreno. Agora, depois de uma primeira semana entregue às iniciativas dos movimentos pelo Sim, com campanhas de rua e medidas avulsas, chegou a hora dos "senhores da guerra". As críticas subiram de tom e passaram a ser esgrimidas directamente entre líderes partidários: Sócrates disse que não mudará a lei se o Não vencer no domingo e obrigou Marques Mendes a contra-atacar, acusando o primeiro ministro de ser "radical e extremista".

Amanhã, no jantar convívio, certamente haverá mais críticas. Sócrates tem mais acusações na manga, para dirigir aos partidos da oposição até à hora de fecho da campanha eleitoral. As contas estão prestes a ser feitas. E se o Sim ganhar, o líder socialista quer, sem dúvida, ter direito a um lugar no
podium.