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Expresso

Referendo sobre o Aborto

"Já não sou ministra. Posso fazer campanha"

Militantes do Sim e do Não estiveram hoje no Chiado. Maria de Belém Roseira era a única figura mediática a distribuir os panfletos que o Partido Socialista fez propositadamente para o referendo sobre o aborto.

Um monte de folhetos desaparece rapidamente das mãos de Maria de Belém Roseira, estrategicamente situada no cimo das escadas da estação de metro do Chiado. "Há nove anos era ministra. Agora posso fazer campanha", comenta ao Expresso a única figura conhecida que hoje esteve no Largo do Chiado a distribuir folhetos feitos propositadamente pelos socialistas para a campanha do referendo. "O sim Responsável", título do prospecto, junta-se a outros apertados nas mãos de alguns passeantes, que uns metros abaixo os haviam recebido dos movimentos pelo Não.

Quase maquinalmente homens, mulheres e jovens aceitam os panfletos e ninguém parece mostrar surpresa. Desde terça-feira, o Chiado e a Baixa tornaram-se a zona predilecta dos militantes que se encontram dos dois lados das barricadas.

"O discurso do Não está a subir de tom. Numa creche colocaram nas mochilas dos miúdos um papel com a frase ‘Mãe por que me mataste’", conta a deputada socialista durante um curta interrupção que decide fazer na distribuição dos folhetos. Maria de Belém está convencida que até ao final da campanha, o discurso do Não vai "radicalizar-se" , enquanto no caso do Sim isso poderá suceder mas "pontualmente".

A ex-ministra da Saúde aproveita também para criticar o código deontológico da Ordem dos Médicos, que classifica como pena grave os clínicos que façam um aborto. "Em Espanha, onde a lei da interrupção voluntária da gravidez é muito semelhante à nossa, os abortos são feitos em clínicas e isso explica-se por que o código dos médicos espanhóis não é de certeza igual ao nosso".

Com a aproximação da hora do almoço mais gente chega ao Chiado. Maria de Belém junta-se aos outros militantes na entrega dos desdobráveis.

Mais abaixo, já próximo da Rua do Carmo, a música que acompanha os jovens pelo Não mistura-se com o fado que sai de uma coluna de som. Aqui, o objectivo é outro: vender cd’s com a música mais popular portuguesa.