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Expresso

Referendo sobre o Aborto

Defensores do Não vão usar terror e pornografia

A uma semana do fim da campanha aumenta a animosidade entre os dois lados. O líder do Bloco de Esquerda aponta o dedo a alegadas ameaças dos seus adversários.

Num discurso proferido ontem, Francisco Louçã não previu facilidades da parte dos defensores do Não e avançou como algumas acusações: "Esta campanha não é fácil, é sempre, cada vez mais, difícil. A última semana de será marcada pelo terror, pelas ameaças e pela pornografia", antevê o deputado bloquista.

Segundo Louçã o Não tem desenvolvido uma “campanha obscurantista e vergonhosa dominada pela chantagem, demagogia e mentira.” As acusações não se ficam pelo vago e o líder partidário avança com exemplos, "Todos os que abriram a sua caixa de correio nos últimos dias sabem o que é o terror, as ameaças e a pornografia. Mas ninguém podia imaginar crianças de creche a quem fosse imposto serem portadores de mensagens para ameaçar os seus pais", criticou Louçã, que não se fica por aqui, "Ninguém podia imaginar que alunos de escolas secundárias da linha de Sintra fossem portadores de CDs e DVDs para ameaçar os seus pais. Isto aconteceu em Portugal.”

Ana Drago e José Manuel Pureza acreditam que existe "uma estratégia da confusão deliberada, por parte dos defensores do Não", e acusam Marcelo Rebelo de Sousa de ser o estratega.

José Manuel Pureza vê na imitação de Marcelo Rebelo de Sousa, por parte de Ricardo Araújo Pereira (Gato Fedorento), em que o comentador é caricaturado, o exemplo perfeito em que a estratégia do Não foi "clara e genialmente desmontada".

Francisco Louçã referiu também esse vídeo e sublinhou a "agressividade” que despertou por parte dos defensores do não, “que organizaram uma rede de e-mails para pressionar a RTP", alegadamente para contestarem a sua transmissão no canal estatal. "Marcelo Rebelo de Sousa tem todos os domingos todo o tempo para expor as razões porque defende o Não. Se isso é destruído com um vídeo de um minuto e 56 segundos só quer dizer que o Sim tem de facto muita força", sublinhou.

A participação masculina

Francisco Louçã também não deixou sem resposta Bagão Félix, que propôs a continuação do aborto como um acto criminoso, mas substituindo as actuais penas de prisão para as mulheres por trabalho comunitário."Os deputados do não que são do PSD e do CDS nunca propuseram nenhuma iniciativa de lei, nunca quiseram alterar o artigo do Código Penal que diz que as mulheres são punidas com pena até três anos de prisão”, e criticou a tentativa de manter o regime de denúncia. “Se a mulher que abortou vier declarar que é criminosa, então não se faz o julgamento mas tem de aceitar injunções, e regras de conduta determinadas pelo Ministério Público. Isto não é despenalizar, é manter o regime de denúncia.”

Estas afirmações vieram na sequência de um projecto, de duas deputadas do PS (antigas deputadas do CDS) para a suspensão dos processos a decorrer em tribunal. A Lei continuaria a prever o aborto como um crime punido com três anos de prisão, mas a pena poderia ser evitada, caso a mulher assuma que abortou. Louçã argumentou que "só há um voto que garante a despenalização, que é o voto Sim, não há mais nenhum: O Não significa continuar a penalização."

Há quase nove anos atrás o Sim perdeu e desde então os seus apoiantes não se pouparam a esforços para que a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) seja novamente referendada. Falta apenas uma semana para que esse dia chegue novamente e Francisco Louçã apela a todos “os que não foram votar em 1998 e que sabem que por isso ganhou aquilo que não queriam.” O líder do Bloco de Esquerda espera que desta vez as convicções sejam visíveis através do voto e sublinhou a importância do voto masculino.