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Expresso

Referendo sobre o Aborto

"Não" aposta na sensibilização e evita polémicas

A Plataforma “Não Obrigado” realizou manifestações no Porto e em Lisboa, apelando a todos os apoiantes para fazerem o mesmo. Faro respondeu com uma “Passeata”. Em Fátima depositou-se uma “Chama pela Vida”.

No distrito mais a sul de Portugal continental, a organização do passeio coube ao movimento cívico “Algarve pela Vida” e contou com o apoio da Associação Evangélica Portuguesa (AEP) e outras organizações católicas. A “Passeata pela Vida” que juntou cerca de 300 pessoas, percorreu algumas das artérias principais da capital algarvia e terminou no Jardim Manuel Bívar, na baixa da cidade, onde decorreu um comício.

Os muitos jovens que integraram esta manifestação exibiam cartazes apelando ao voto no Não onde se podiam ler frases de ordem contra a despenalização do aborto, o mesmo fazia o carro que acompanhou todo o passeio.

"É uma iniciativa em que queremos marcar a nossa posição em defesa da vida e a favor do Não", declarou à Lusa, Luís Lopes, um dos organizadores e sublinha que se tratou de uma iniciativa da “sociedade civil”, apesar de contar com o apoio da AEP.

A antiga líder do CDS-PP no Algarve, Ester Coelho e o médico Luís Galante, mandatário do "Movimento Algarve pela Vida", foram alguns dos partidários do Não que discursaram contra a legalização do aborto. 

Planeamento familiar

Em Lisboa a Plataforma "Não Obrigado", pela voz de Teresa Venda defendeu medidas “ressocializantes” para as mulheres que interrompam a gravidez. A ideia é evitar o julgamento através da criação de um projecto de vida, evitando assim que voltem a recorrer a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). "A mulher não viria a ser julgada. O processo era aberto, analisadas as circunstâncias, sendo depois suspenso e a mulher encaminhada pelo juiz para a segurança social para entrar num programa de formação profissional ou de planeamento familiar", explicou Teresa Venda, mentora do projecto apresentado há quatro anos na Assembleia da República.

A activista do Não que falava numa acção de rua, entre o Rossio e o Chiado considerou pouco reais as sugestões avançadas por Bagão-Felix, que passavam por trabalho comunitário para as mulheres que abortassem, "não resolvem nada porque muitas mulheres praticaram um aborto por desconhecimento e por problemas financeiros."

As crianças do Não

Na acção denominada “Onda pela Vida”, os vários movimentos do Não tiveram que enfrentar algumas críticas por parte de simpatizantes do Sim. As acusações tiveram como alvo a "utilização de crianças para distribuir panfletos, sem saberem o que é um aborto.”

Vera Correia e Pedro Rosado, de 11 e 10 anos respectivamente, explicam a razão do seu empenho, "com 10 semanas já existe uma vida dentro da mulher. Os bebés têm todo o direito a nascer", como eles tiveram há pouco mais de dez anos.

Apesar destes contratempos, Teresa Venda defendeu que a primeira semana de campanha correu de forma correcta, apesar de "ter havido algumas más informações, mas no geral está equilibrada entre os defensores das duas partes." Quanto às acusações de Francisco Louçã e de outros partidários do Sim, a mandatária preferiu não comentar.

Fátima recebe "Chama da Vida"

Pela defesa “daquilo em que se acredita” foi depositada no Santuário de Fátima a “Chama pela Vida.” Esta é mais uma iniciativa relacionada com o referendo do próximo dia 11. A “Chama” que percorreu os 14 arciprestados da Diocese de Lamego, durante duas semanas, chegou hoje de manhã a Fátima acompanhada por um cortejo de 150 pessoas.

O objectivo "é sensibilizar as pessoas e as consciências", afirmou o padre Diamantino Duarte. “Para que assumamos com desassombro os nossos propósitos na defesa da Vida.” Jorge Barreto de 29 anos e Mónica Morgado de 21, dois dos encarregados em transportar o facho com a "Chama da Vida" até à Capelhinha das Aparições, não esconderam que o faziam por “uma boa causa”, demonstrando algum orgulho. "Quando se faz aquilo em que se acredita tudo se torna mais fácil."

Com a "Chama" colocada junto à imagem da Nossa Senhora de Fátima, seguiu-se a eucaristia dominical, celebrada pelo Bispo da Diocese de Leiria-Fátima. D. António Marto perante a atenção de milhares de fiéis, apelou à reflexão sobre o referendo que se avizinha, "a vida humana é, sobretudo, um dom, mas também, a alegre responsabilidade pelo seu cuidado e pela sua protecção, particularmente quando é mais frágil e indefesa".

O prelado aponta ainda ser necessária “uma decidida viragem cultural para percorrer o caminho virtuoso do amor solidário à vida humana.” Acrescentando que "nenhuma vida humana, mesmo no seu primeiro desabrochar, pode ser considerada de menor valor ou disponível como um objecto".