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Expresso

Presidência Portuguesa da UE

Putin compara situação actual à crise dos mísseis

Na cimeira UE-Rússia, o Presidente russo evoca a crise de Cuba e fala do seu futuro político.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O Presidente russo comparou a situação actual a propósito da colocação no território de alguns países europeus à crise dos mísseis de Cuba durante os anos 60.

"Em termos tecnológicos, a situação é semelhante. Nós retirámos as nossas bases de todo o lado e, agora, novas bases estão a ser criadas perto das nossas fronteiras", disse Vladimir Putin no decorrer da conferência de imprensa que finalizou os trabalhos da 20.ª cimeira União Europeia-Rússia.

Segundo o Presidente russo, o facto positivo é que as relações do seu país com os Estados Unidos mudaram: "não somos mais inimigos, mas parceiros, eu posso chamar amigo ao Presidente americano, como ele me chama a mim".

Por outro lado, Washington é também mais sensível às preocupações que o Governo russo transmitiu, disse ainda Putin: "os nossos parceiros americanos estão agora a estudar como neutralizar essas preocupações".

O chefe de Estado russo aproveitou também a ocasião para referir que não tenciona candidatar-se novamente ao cargo, nas eleições presidenciais de Março do próximo ano.

"Não vou alterar a Constituição para servir os meus próprios interesses", afirmou, acrescentando que, todavia, ainda não tinha decidido o que iria fazer e "em que capacidade".

"Não vejo necessidade de alterar a estrutura do poder executivo. Não vou passar para o Governo, nem levar comigo toda a minha estrutura. Se depender de mim, não haverá alteração", declarou.

Não apenas recursos energéticos

Sobre a situação económica do seu país, o Presidente russo salientou que o crescimento económico já não se deve apenas aos recursos energéticos. "A Rússia já está à frente da Itália e, se mantiver o mesmo ritmo de crescimento, ultrapassaremos a França dentro de algum tempo", afirmou.

O problema, segundo disse, é que com o aumento do nível de vida aumenta também a procura e a importação de bens, porque o produto da indústria transformadora russa não é suficientemente competitivo.

Tanto José Sócrates, presidente em exercício da UE, como Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, reiteraram na mesma conferência o apoio da União à adesão da Rússia à Organização Mundial de Comércio, um tema que também esteve em foco nas conversações durante a cimeira.

"Vemos a adesão da Rússia à OMC como vantajosa para todos. Não faz sentido que uma grande economia como a russa não esteja nesta organização", disse Sócrates, sublinhando porém que, se "o caminho não está ainda completamente percorrido", progrediram bastante.

Também Durão Barroso se referiu ao assunto, dizendo que tinha havido oportunidade para dar "um ímpeto às negociações com a OMC".