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Expresso

Presidência Portuguesa da UE

Polónia pode ser chave para cimeira UE-Rússia

Satisfeita com mudança de Governo em Varsóvia, Moscovo confia em melhores relações com Polónia e União Europeia.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Uma mudança no Governo polaco pode ajudar a quebrar o gelo nas relações entre a Rússia e a União Europeia na cimeira desta sexta-feira e remover alguns obstáculos para um acordo sobre uma nova parceria entre Moscovo e Bruxelas, afirma hoje o jornal russo em língua inglesa 'Moscow Times', citando autoridades oficiais.

"Moscovo gostaria de ver na Polónia um parceiro confiável e amigo. A russofobia e as tentativas de politizar os problemas foram prejudiciais para as relações russo-polacas", declarou Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin.

As negociações para um novo acordo entre a UE e a Rússia estão bloqueadas devido ao veto polaco ao mandato da Comissão, suscitado pelo embargo russo à carne de vaca oriunda daquele país. Varsóvia argumenta que o embargo é político, ao passo que Moscovo diz que é meramente económico e que a carne não cumpre as condições sanitárias.

Ontem, Donald Tusk, o líder da Plataforma Cívica que ganhou as eleições na Polónia no domingo, afirmou que a mudança nas relações polaco-russas era a tarefa mais importante do novo Governo em matéria de política externa.

Mas Serguei Ryabkov, alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros e um dos organizadores da cimeira desta sexta-feira, também citado pelo jornal, declarou que seria "altamente improvável que se iniciassem as negociações para um novo acordo entre a UE e a Rússia em Portugal".

Ainda de acordo com o 'Moscow Times', o conselheiro para os Assuntos Europeus do Presidente russo, Serguei Iastrjembski, afirmou que "as relações entre os dois países podem tornar-se mais pragmáticas".

O mesmo tom de satisfação pela mudança de poder em Varsóvia foi visível nas declarações do deputado Andrei Klimov, encarregado das relações com a União Europeia na Comissão para os Negócios Estrangeiros da Duma. "Graças a Deus, gente normal prevalece na Polónia", exclamou, salvaguardando que subsistem ainda obstáculos nas relações entre os dois países, nomeadamente o veto polaco para as conversações UE-Rússia e os planos de Varsóvia de acolher parte do escudo de defesa antimíssil norte-americano.

O jornal cita ainda o diplomata polaco Jerzy Rutkowski, segundo o qual seria errado supor que a vitória de Tusk conduziria automaticamente a melhor relações ou ao levantamento do embargo russo à carne polaca. "Mas acredito que há uma hipótese para ambas as partes se aproximarem", afirmou, adiantando que tanto a Polónia como a Rússia "estavam a procurar uma saída para este impasse".