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Natal Actual

A abundância das dádivas

Que criança de hoje aceitaria como presentes o ouro, o incenso e a mirra? Nem o filho de um rei, nem o filho de um mago.

A eterna Barbi, sempre à beira de se desfazer da sua última «toilette», e o mais recente jogo da Play Station, repondo até à exaustão os seus lances estratégicos, tomaram o lugar das substâncias que duram, que perfumam o ar e que curam as fraquezas do corpo. Daí que seja cada vez menor o número dos adultos que, ao receber as suas prendas natalícias, abraçam a inocência que perderam. Num montão de papéis cintilantes e de lanços festivos queda-se a abundância das dádivas que vêm ter connosco, as quais se olham por uma vez com o olhar desencantado e logo se remetem à prateleira dos objectos sem fascínio e sem serventia. Os nossos avós das classes privilegiadas encontravam no sapatinho uma simples laranja e tinham-se com ela por suficientemente premiados. Existirá mais perfeita maravilha do que um desses frutos da terra, alumiando a noite de Natal como um balão chinês, e até por isso capaz de nos matar a sede?