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Desaparecimento de Madeleine McCann

Maddie: reconstituição confirmada

Rogério Alves, advogado do casal McCann adiantou hoje ao Expresso que a reconstituição do desaparecimento de Madeleine já foi marcada.

Mário Lino

"Foi marcada este mês, mas não lhe vou dizer que é para este mês", adiantou aos jornalistas Rogério Alves, advogado do casal McCann, esta manhã. Quando questionado se a reconstituição ocorrerá no final do mês de Maio, Alves retorquiu: "Há fortes indícios disso".

Contactada pelo Expresso, fonte ligada à investigação garantiu, no entanto, que ainda não há uma data marcada. "Não chegou oficialmente conhecimento das disponibilidades de quem vem, nem à PJ nem ao Ministério Público", adiantou fonte policial. Reconhecendo estar numa fase de "negociação" e de acerto de agendas entre o casal e os vários amigos, a mesma fonte admitiu poder estar perante um "jogo difícil", em que alguns dos intervenientes possam garantir disponibilidade que colida com a disponibilidade dos outros. "Uma coisa, no entanto, é certa: a PJ só fará a reconstituição com todas as testemunhas presentes. Se não, não terá qualquer interesse policial", referiu.

Entretanto, o advogado do casal McCann desmentiu esta manhã que tivessem sido impostas quaisquer condições por Gerry e Kate para regressar a Portugal: "O casal não impôs condições. Há é um cepticismo quanto à utilidade de uma diligência desse tipo que vai ser feita um ano e tal depois dos acontecimentos. Há pouca fé, pouca esperança no resultado dessa diligência, que isso possa ajudar a perceber o que aconteceu à criança", afirmou.

Falando à margem de um seminário em Faro sobre a Reforma do Código de Processo Penal, o ex-bastonário da Ordem dos Advogados considerou "normal" a prorrogação para Agosto do segredo de justiça, criticando no entanto as implicações daí decorrentes: "O que resulta objectivamente do segredo de justiça neste caso é que veda o acesso ao conhecimento que um pai e uma mãe gostariam de ter acerca daquilo que a polícia está a fazer para descobrir uma coisa que para eles é única verdadeiramente fundamental: o que aconteceu à sua filha, se podem ter esperança de que a sua filha possa estar viva e possa ser encontrada, isso o segredo de justiça impede".

Quanto à saída do ex-director nacional da Polícia Judiciária, Alípio Ribeiro, o ex-bastonário acredita que não terá influência no desenrolar do processo: "De forma nenhuma. O dr. Alípio Ribeiro disse que teria havido precipitação na constituição de arguidos, é a avaliação que ele faz. A investigação continua, o que tiver de ser recolhido será recolhido, as pistas continuam a ser as mesmas e as diligências continuarão a ser as mesmas", concluiu. 

Contactado pelo Expresso, Francisco Pagarete, o advogado de Robert Murat (primeiro arguido no processo) alegou desconhecer oficialmente qualquer reconstituição: "Não fui notificado de nada, o que sei foi o que tenho lidos nos jornais", afirmou.