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Expresso

Hezbollah: Um estado dentro do Estado

Uma diáspora rica, inquieta e mobilizada

Como país tradicionalmente de emigração, o Líbano tem hoje 20 milhões de pessoas dispersas por todos os continentes.

O Líbano é um pais de emigração, tradição anterior à sua existência como estado independente (1943). Os historiadores relacionam-na com os fenícios que, a partir das suas cidades-estados implantadas ao longo da costa (hoje) libanesa, dominaram a navegação e o comércio em todo o Mediterrâneo, três milénios antes da era cristã.

Fruto de sucessivas vagas de emigração, a diáspora libanesa é avaliada por alguns historiadores em cerca de 20 milhões de pessoas, dispersas por todos os continentes.

Contabilizando apenas aqueles libaneses que mantêm laços familiares e culturais com o país de origem, chega-se a um total de quatro milhões, igualando a totalidade da população do actual estado libanês.

O Brasil é o país que têm a maior população de origem libanesa – entre seis e oito milhões –, embora sejam mais conhecidos como "turcos" por referência à época da dominação otomana.

Nos Estados Unidos vivem 1,5 milhões de cristãos libaneses e um milhão de muçulmanos de origem árabe, entre os quais os libaneses são fortemente representados.

As outras comunidades mais importantes estão

– na Europa: 400 mil, dos quais 100 mil em França.

– na Venezuela: 400 mil

– no Canadá: 250 mil

– na Austrália: 250 mil

– em África: 200 mil, dos quais 100 mil na Costa de Marfim.

Historicamente, os cristãos libaneses forneceram os maiores contingentes de emigrantes, mas a partir de 1975 os muçulmanos juntaram-se ao movimento, acompanhando a evolução demográfica do país de origem. Segundo o Hezbollah, a população libanesa é actualmente 80% muçulmana, embora os acordos de Taef atribuam o mesmo número de lugares no Parlamento às duas religiões dominantes, a presidência da República aos cristãos, a chefia do governo aos sunitas e a presidência do Parlamento a um xiita.

Todos os analistas consideram que a emigração posterior a 1975 é a mais influente em relação à política interna do Líbano. Desde que o Hezbollah foi colocado na lista das organizações terroristas, os serviços secretos ocidentais tem vigiado de perto as actividades dos imigrantes xiitas libaneses e, em particular, os que efectuavam frequentes viagens ao sul do Líbano. No âmbito das investigações sobre os financiamentos do Hezbollah, foram detectadas e desmanteladas redes que se dedicavam a todo tipo de crimes económicos – contrabando de tabaco, drogas, ouro, diamantes, clonagem e piratagem de cartões de crédito, lavagem de dinheiro – por conta do Hezbollah. Organizações caritativas, que angariavam dinheiro para causas humanitárias foram também acusadas de praticar várias formas de extorsão junto de ricos empresários de origem libanesa. O Hezbollah é também acusado de cobrar uma espécie de imposto sobre as remessas dos emigrantes do Sul do Líbano.