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Expresso

Hezbollah: Um estado dentro do Estado

Um estado dentro do Estado

O Governo libanês promete 60.000 dólares por cada casa destruída, mas o Hezbollah tomou a dianteira no terreno.

Seis mil e 400 dólares em dinheiro vivo, o equivalente a um ano de renda, é quanto estão a receber do Hezbollah as famílias libanesas desalojadas pelas bombas israelitas. Para comerciantes e artesãos, o pecúlio sobe para 10 mil dólares. Materiais de construção, água, alimentos e medicamentos estão a ser distribuídos gratuitamente. Não há reclamações: as equipas do Partido de Deus registaram os danos e nomes dos sinistrados, enquanto ajudavam a resgatar os sobreviventes, a evacuar os feridos e a enterrar os mortos.

Colhidas por câmaras da Al Manar, a televisão privativa do Hezbollah, e divulgadas em todo o mundo, as imagens das "massacres" e dos primeiríssimos socorros prestados por voluntários xiitas contribuíram para aumentar o prestígio do partido e do seu líder Hassan Nasrallah, convencendo milhões de muçulmanos a dar o seu contributo. Dinheiro que servirá para financiar as muitas obras sociais (12 hospitais, dezenas de dispensários, escolas, orfanatos) que o Hezbollah construiu e administra. Mas também para angariar novos militantes e comprar armas da última geração.

Há mais de 20 anos que o Hezbollah assim funciona, o que lhe permitiu transformar-se no que os serviços secretos ocidentais qualificam como a "melhor guerrilha do mundo". Disciplina, eficiência e criatividade são qualidades reconhecidas, enquanto a população distingue os seus dirigentes como imunes à corrupção, cancro da política libanesa.

De onde vêm os fundos, que permitem ao Hezbollah funcionar como um "estado dentro do Estado"? As investigações permitiram identificar três "fontes" principais: as ajudas estatais estrangeiras (Irão e Síria), a esmola – pilar do Islão, que obriga o bom muçulmano a doar até 10% dos seus rendimentos – e recursos empresariais próprios.

Israel avalia em 100-120 milhões de dólares/ano o apoio financeiro do Irão, entre ajudas oficiais e privadas. O contributo da Síria é mais modesto. Mas todos reconhecem que é da vasta diáspora libanesa que vem uma parte substancial das finanças, com destaque para a América Latina (mais de 10 milhões de dólares/ano, segundo a CIA) e África. A estes fundos "limpos", haveria que acrescentar "actividades empresariais criminosas": tráfico de droga na América do Sul e de ouro e diamantes na Libéria, Costa de Marfim e Angola.