Siga-nos

Perfil

Expresso

Hezbollah: Um estado dentro do Estado

Omnipresentes nos negócios

Angola passou a ser um destino para os libaneses no final dos anos 80, quando o mercado era propício ao sucesso de grandes negócios.

Chegaram, viram e venceram. É o que podem dizer os libaneses que desde 1988 começaram a franquear as fronteiras de Angola. Primeiro vieram sozinhos. O «trading» era o que estava a dar porque havia falta de tudo. O mercado era propício ao sucesso de grandes negócios.Com o circuito de abastecimento alimentar então controlado pelo Estado completamente desarticulado, um verdadeiro cartel de empresas libanesas aproveitou as  debilidades do sector e passou a controlar o fornecimento, por grosso, dos bens alimentares.

A maioria dos libaneses presentes em Angola é proveniente do antigo Zaire e da Serra Leoa. A actividade dalguns deles nem sempre é  bem vista. Por isso, muitas vezes são  acusados de utilizarem o comércio grossista para se envolverem em operações de lavagem de dinheiro, com a cumplicidade de altos responsáveis angolanos. «São protegidos por dirigentes poderosos, que têm os seus interesses acobertados nestas operações e facilitam a saída do aeroporto de malas inteiras cheias de dinheiro» – disse ao EXPRESSO uma fonte da Policia Judiciária.

Com fortes ligações ao poder, empresas como a  Angoalissar, Arosfram e Atltas Grupo, detidas por libaneses, movimentam hoje anualmente mais de 400 milhões de euros. Mas nem tudo tem sido um mar de rosas para os libaneses. Entrando em Angola em situação ilegal e exercendo pressão sobre o mercado cambial através da especulação e entesouramento do kuanza (a moeda local), em 1995, cerca de 120 libaneses acabariam por ser expulsos do país no âmbito da "operação câncer".

"Foram vítimas de guerras movidas por outros grupos libaneses que  'queimaram' concorrentes para ter o caminho livre" – disse ao EXPRESSO Najib Farhat. Passada a nuvem de turbulência, alguns desses libaneses foram  regressando. Nalguns casos trouxeram as mulheres e outros familiares. Noutros, integrados aos poucos na comunidade, passaram a contrair matrimónio com angolanas.

"Em Angola sentimos segurança e paz" – disse Najib. Este libanês protagoniza provavelmente um caso único no país.Com a maioria dos seus compatriotas mergulhada no negócio de venda de bens alimentares e electrodomésticos, Najib escolheu o ramo automóvel para ser bem sucedido.

Começando por comercializar viaturas em segunda mão provenientes da Bélgica, este jovem empresário de 28 anos anos, ergueu agora um verdadeiro império através de uma empresa – a Facar – que hoje disputa a liderança do mercado automóvel com as principais concessionárias."Só no ano passado, vendemos mais de 400 carros novos" - disse Najib.

A comercialização de materiais de construção e de mobiliário importado de Portugal faz agora igualmente parte do "cardápio" dos empresários libaneses, que através da Himoca, estenderam também já os seus tentáculos ao negócio de diamantes. A próxima aposta dos libaneses deverá passar pelo grupo Olympic, que se prepara para montar uma fábrica de chapas de zinco e outra de mobiliário de cozinha.

No topo da pirâmide, está um libanês especial: Ramzi Klink, representante da Dar-Al-Handasah, uma das mais qualificadas empresas mundiais de estudos e projectos de engenharia e fiscalização e membro da FESA – Fundação Eduardo dos Santos. Só não estão na agricultura e nos petróleos...