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Expresso

Hezbollah: Um estado dentro do Estado

25 anos a combater Israel

25 anos dedicados à luta contra a ocupação por parte de Israel e de hostilidade aos seus apoiantes internacionais.

1982 – O Hezbollah é fundado com o apoio da Síria e, sobretudo, do Irão, em reacção à invasão israelita do sul do Líbano de Julho de 1982 e rapidamente se torna a principal organização militar de resistência à ocupação por Israel.

1983 – Primeira acção conhecida contra interesses internacionais.

Janeiro: foi lançada uma granada contra uma patrulha militar francesa.

Março: ataque a duas patrulhas norte-americanas.

Abril: Primeiro grande atentado, contra a embaixada dos Estados Unidos em Beirute, do qual resultam 63 mortos.

Outubro: no dia 23, dois atentados-suicidas contra a força internacional de interposição matam 248 americanos e 58 franceses. Os Estados Unidos acusam o Hezbollah e o Irão de estarem por trás do atentado. O Hezbollah nega-o.

1985 – Na sequência de acontecimentos que tornam o grupo conhecido, são raptados o jornalista Jean-Paul Kaufmann e o investigador francês Michel Seurat (este acabaria morto em cativeiro).

Junho: Desvio de um avião em que um passageiro é abatido.

O rapto temporário de quatro diplomatas soviéticos foi resolvido pelo KGB com metodologia e represálias próprias, após o assassínio de um deles.

1988 - «Libanização» do movimento a partir do fim das tensões ligadas à guerra entre o Irão e o Iraque.

1990-2000 – O Hezbollah reforça a sua aliança com a Síria e consolida a sua ala militar. Prossegue a guerrilha com Israel num conflito que ultrapassa o sul do Líbano.

1992 - «Libanização» confirmada pela participação do Hezbollah nas eleições libanesas desse ano.

Março: No dia 17, uma bomba provoca 30 mortos na embaixada de Israel na Argentina.

1984-1993 – O Hezbollah foi responsável por cerca de 90% dos ataques contra o Tsahal.

1994 – No dia 18 de Junho, um atentado faz 87 mortos num centro comunitário judeu na Argentina. O Estado argentino começou por acusar formalmente o Irão e o Hezbollah de estarem implicados nestes actos. Vários membros da comunidade xiita local são presos e posteriormente libertados por falta de provas. Actualmente, o Supremo Tribunal argentino nega esta tese.

O Irão continua a fornecer o Hezbollah em meios financeiros e em armas e a ter peso nas suas decisões. Teerão reconhece apenas parte deste apoio. O Governo iraniano compara as suas relações com o Hezbollah às dos Estados Unidos com Israel. Pelo seu lado, o Hezbollah entende-se como um movimento nacionalista e vai-se afastando da sua filiação original. 

1996 – Operação «Vinhas da Ira»: a tensão culmina na operação que fica conhecida por este nome levada a cabo pelo exército israelita no mês de Abril. O resultado são 154 civis mortos dos quais 107 no curso do massacre de Caná.

2005 – O Hezbollah participa no processo eleitoral de Maio-Junho e obtém 11% dos votos. O Bloco da Resistência e do Desenvolvimento, a que o Hezbollah pertence, obtém 27,4%. A partir daqui, o movimento passa ao diálogo directo com os seus pares e o seu líder, Sayed Hassan Nasrallah, apela ao diálogo e pronuncia-se a favor de «um governo de unidade nacional».  

Julho: Com 14 deputados (de um total de 128), o Hezbollah passa pela primeira vez a fazer parte do Governo em 19 de Julho de 2005. Fica oficialmente responsável por um em 24 ministérios – o Ministério da Energia, atribuído a Mohammad Fneich. Oficiosamente, fica com três ministérios já que Fauzi Saloukh e Trad Hamadé, respectivamente ministros nomeados para os ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Trabalho, são considerados pró-Hezbollah.

Actualmente, a «cultura» Hezbollah caracteriza-o como uma organização com um braço armado e uma representação nacional.

2006 –

Fevereiro: No dia 9, a maior manifestação de sempre convocada pelo Hezobollah reúne 600.000 pessoas em Beirute contra a publicação das caricaturas de Maomé.

Julho: No dia 12, o Hezbollah captura dois soldados israelitas e mata mais oito na fronteira israelo-libanesa.

No dia 14, na sequência da retaliação israelita, o líder do Hezbollah, Sayed Hassan Nasrallah, proclama a «guerra aberta» contra Israel.