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Votação positiva em risco

Decisão está marcada para 12 de Junho, mas a percentagem de indecisos mantém-se muito alta. Alemanha ratificou hoje o Tratado de Lisboa.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

A três semanas do único referendo europeu sobre o Tratado de Lisboa, na Irlanda, a percentagem de votantes indecisos mantém-se nos 47% e os europeístas consideram que o documento é "difícil de vender" aos eleitores porque não traz benefícios imediatos à população.

Tal facto pode originar uma reduzida afluência de votos e traduzir-se num 'não', à semelhança do que aconteceu com o Tratado de Nice, em 2000, quando apenas votaram 34,8% dos eleitores irlandeses. A situação acabou por ser ultrapassada com a repetição do referendo, dois anos depois, quando votaram 48,5% dos eleitores.

Numa entrevista ao jornal online "EUobserver.com", o comissário irlandês Charlie McCreevy reconhece mesmo que "uma das dificuldades é galvanizar os eleitores" para o referendo marcado para 12 de Junho, porque argumentos como "melhorar a situação" ou "dar à Irlanda mais voz numa melhor estrutura organizativa" são bem menos atraentes que outros como "vamos ter muito mais dinheiro da Política Agrícola Comum ou dos fundos estruturais".

Para o comissário da pasta do Mercado Interno, também 'pesa' sobre o eleitorado o facto da Irlanda ser o único país a referendar o tratado. "Estamos sob um escrutínio total e as pessoas sentem um elevado grau de pressão", disse.

Um estudo recente feito pela Comissão irlandesa do Referendo revelava que 80% dos irlandeses não percebiam o Tratado de Lisboa. Ao todo, foram distribuídos no país de 4,5 milhões de habitantes dois milhões de pequenas brochuras explicando o texto, foi criado um sítio específico na Internet e instalado um serviço telefónico para responder a questões sobre o tratado.

Todos os partidos representados no Parlamento apoiam o documento, com a excepção do nacionalista Sinn Fein, que detém apenas quatro dos 166 deputados. Mas o novo primeiro-ministro, Brian Cowen, advertiu que não toleraria opositores ao documento nas fileiras do seu partido, o Fianna Fail, levantando a perspectiva de expulsão aos militantes discordantes.

Uma "catástrofe"

Uma eventual votação negativa na Irlanda seria uma "catástrofe" para a Europa, porque não existe nenhuma solução alternativa, segundo um estudo feito pela fundação alemã Bertelsmann.

De acordo com o estudo, divulgado na semana passada, não é realista repetir o referendo, nem emendar de novo o tratado, nem tão pouco oferecer possibilidades de 'opt-out' à Irlanda, porque não é claro em que áreas tal poderia ser possível.

A Irlanda já não participa em partes substanciais das áreas de Justiça e Assuntos Internos e as questões fiscais - outra área sensível - continuam a exigir unanimidade.

A única alternativa possível para a União Europeia, diz o documento, seria desistir de tratados reformadores abrangentes e introduzir "reformas mínimas" através de acordos intergovernamentais.

'Sim' da Alemanha

Entretanto, Durão Barroso saudou hoje a ratificação do Tratado de Lisboa pela Alemanha e destacou o papel desempenhado ao longo do processo pela chanceler alemã, Angela Merkel.

Aplaudindo a "conclusão bem sucedida da aprovação parlamentar" do tratado na Alemanha, com a ratificação desta manhã pela Câmara Alta do Parlamento (Bundesrat), que se seguiu à da Câmara Baixa (Bundestag) em Abril, o presidente da Comissão Europeia lembrou o trabalho desenvolvido pela presidência alemã da União Europeia no primeiro semestre de 2007.

"O Tratado de Lisboa não teria sido possível sem o empenho e a liderança da chanceler Merkel e da presidência alemã", afirma Barroso numa nota divulgada hoje em Bruxelas.