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Trio de presidências diz que desafio é nomear novos cargos

Nomear os novos dirigentes da UE é a prioridade de franceses, checos e suecos. Barroso adverte França contra "arrogância".

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

A reforma das instituições europeias é o grande desafio do próximo trio europeu de presidências - França, República Checa e Suécia -, que deram a conhecer em Praga o seu programa comum para o período que vai do próximo mês de Julho até Dezembro de 2009.

Para além das instituições, os chefes das diplomacias dos três países que se sucederão na gestão da presidência da União apontaram ainda enquanto "prioridades comuns" os problemas da energia e do clima, a competitividade e a política de imigração.

O ministro francês Bernard Kouchner sublinhou que "não será fácil" designar o futuro presidente do Conselho Europeu, mas que "é cedo para pronunciar nomes".

Anteriormente, num seminário em Bruxelas, Kouchner tinha dito que Tony Blair "faria um bom candidato", tal como "Jean-Claude Juncker (primeiro-ministro do Luxemburgo) e o antigo primeiro-ministro espanhol Felipe Gonzalez, embora sublinhasse não ter dito que "algum dentre eles é excelente".

Para o ministro francês, a França gostaria que os novos postos previstos no Tratado - presidente do Conselho e Alto Representante para a Política Externa e Segurança Comum - fossem ocupados antes da entrada em vigor do texto, a 1 de Janeiro de 2009.

Além dos postos, outro assunto prioritário referido em Praga por Kouchner foi "a implantação do serviço externo da União", decidir "de onde virão os diplomatas e quem lhes pagará", bem como a política europeia de defesa.

Segundo o ministro, o objectivo francês é "implantar capacidades comuns e meios de defesa civis e militares credíveis". Para a França, é também importante "reforçar a cooperação com os Estados Unidos e o seu novo Presidente".

Já a ministra sueca dos Assuntos Europeus Cecília Malstroem os próximos 18 meses serão "um período excitante e complicado", ao passo que o checo Alexandr Vondra, vice-primeiro-ministro encarregado da pasta europeia disse que "queremos avançar e não estagnar" e apelou a "reformas para aproximar a União dos cidadãos".

Num outro colóquio, também em Praga, Kouchner lamentou: " A Europa aborrece, aborrece-nos, não nos seduz. Pusemos a Constituição nos carris mas não o 'apetite' pela Europa, falta um fôlego e uma visão política".

Nada de arrogâncias, adverte Barroso à França

A propósito da próxima presidência francesa, que se iniciará a 1 de Julho, Durão Barroso apelou à França a que "faça o jogo europeu sem arrogância, sem hegemonia, incluindo no seu interesse nacional".

Numa entrevista ao jornal francês "La Croix", declarou que "é preciso que Portugal, Irlanda, Grécia ou Holanda, sem terem a mesma dimensão que a França, Alemanha ou o Reino Unido, sintam que têm exactamente a mesma dignidade no processo de decisão e que o processo europeu seja apercebido por todos como justo".

Barroso considerou ainda na entrevista que o futuro presidente do Conselho terá que "ser alguém que gosta da Europa, mantenha o espírito europeu, partilhe os nossos valores e compreenda o método comunitário, alguém disposto a trabalhar com as outras instituições europeias".

E acrescentou: "É preciso gerir os equilíbrios com uma grande inteligência para o bem comum. A Comissão manter-se-á a instituição central, comunitária e o seu presidente será o único cuja legitimidade lhe advirá não só do Conselho, que o terá designado, como do Parlamento, que o terá eleito".

Na mesma edição do jornal, referia-se que Durão Barroso era apoiado pela presidência francesa para se manter no seu actual cargo de presidente. Barroso disse que a relação da França com a Comissão era "excelente" e que poderia mesmo "falar de amizade com Nicolas Sarkozy: entendemo-nos bem, sem estar sempre de acordo".