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Expresso

Especial Referendo

Satisfação contida

"O país fica vinculado a este resultado" defendeu Francisco Louçã, desdramatizando os elevados níveis de abstenção.

Viveu-se um clima de satisfação contida no hotel de Lisboa que serviu de quartel-general ao Bloco de Esquerda. O líder, Francisco Louçã, chegou pouco depois de serem conhecidas as projecções da RTP e da SIC, distribuindo sorrisos e apertos de mão aos presentes. Havia ainda alguma precaução nas reacções aos resultados avançados. Meia hora depois, com a sala mais composta, o ‘staff’ bloquista mudava o cenário que serviria de fundo à intervenção política da noite: o colorido "Bem-Vindos ao século XXI" substituía o cartaz da campanha, que frisava a penalização do aborto: "punida com prisão até três anos" em fundo cinzento, sinal inequívoco de que a vitória estava certa.

Às 19h45 começaram os festejos. Um membro da logística anunciava que, com 1979 freguesias apuradas, o Sim acabava de ultrapassar o Não. "A partir de agora é sempre a subir!", acrescentou, entre muitos aplausos e gritos de contentamento. A cena voltaria a repetir-se quando, depois das 20h, as televisões passaram a intervenção da médica Maria José Alves, do movimento pelo Sim, que destacou que "finalmente as mulheres vão ser tratadas com o respeito e a dignidade que merecem".

O grupo discreto de simpatizantes que ali marcou presença (com Mário Tomé, antigo dirigente da UDP, na primeira fila) fez-se ouvir quando Louçã se dirigiu ao palanque para salientar a "vitória extraordinária" e o facto de haver "mais um milhão de pessoas que acrescentaram o seu voto ao (resultado do) referendo de 98", concluindo que "o país fica vinculado a este resultado" e desdramatizando os elevados níveis de abstenção.

No final da intervenção, ouvia-se a voz de Sérgio Godinho a cantar "hoje é o primeiro dia do resto da nossa vida" em fundo. Dirigentes e apoiantes começavam a desmobilizar. A festa seguia dentro de momentos noutro hotel da capital, transformado esta noite em sede dos movimentos cívicos pelo Sim.