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Especial Referendo

Personalidades nas urnas

O apelo ao voto de todos os portugueses foi a grande mensagem deixada pelos líderes políticos que hoje votaram.

Eram oito horas da manhã quando abriram as urnas para o referendo sobre a despenalização voluntária da gravidez. Desde o primeiro-ministro José Sócrates ao líder social-democrata, Marques Mendes, foram muitas as figuras políticas que exerceram o seu direito ao voto.

No entanto, foi uma personalidade religiosa a primeira a dirigir-se às urnas. Pouco passava das 9:30 quando o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, deixou o seu voto no cine-moscavide, em Lisboa. O líder da igreja católica não quis pronunciar-se sobre o tema, deixando apenas um apelo ao voto: "hoje não é dia de declarações, é só dia de votar".

O exemplo foi seguido pela grande maioria dos líderes políticos. Na Covilhã, José Sócrates apelou à população para votar no referendo sobre o aborto, devido à importância da questão e em defesa do mecanismo de participação directa do povo. Embora defenda que "todos os referendos são, do ponto de vista político, absolutamente legítimos", o primeiro-ministro não escondeu o desejo de que a participação confira carácter vinculativo ao referendo.

Em Lisboa, Cavaco Silva, acompanhado pela mulher, demorou uns escassos 10 minutos para entrar na Escola Padre Bartolomeu de Gusmão. "Não vou fazer previsões, temos de aguardar até ao fim", afirmou o Presidente da República aos jornalistas, lembrando que manteve "uma posição reservada" durante a campanha para o referendo.

Quanto aos resultados da consulta popular, Cavaco Silva revelou que vai acompanhar a noite do referendo em casa e que um grupo de assessores estará em Belém para o "manter informado".

Votar: direito e dever

O líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, também apelou hoje ao voto, sublinhando que "são os portugueses que vão escolher como será a lei". "Neste referendo, nós todos escolheremos como é que a lei vai ser", salientou o líder do BE, depois de ter deixado o seu voto num stand de automóveis na freguesia de Coração de Jesus, em Lisboa.

Também em Lisboa, Ribeiro e Castro, recenseado na freguesia de São Jorge de Arroios, deslocou-se a meio da manhã à Escola Secundária Luís de Camões expressando o seu desejo de vir a “ter razões para estar contente no fim do dia". Acompanhado pela mulher e pelos filhos, o líder do CDS-PP reforçou que os eleitores vão decidir sobre "uma questão de valores fundamentais e estruturante da sociedade".

Depois de depositar o seu voto no Grupo Desportivo de Pires Coxe, Jerónimo de Sousa também deixou o seu apelo à corrida às urnas: "O tempo não está de feição, mas é tão importante, que as pessoas com os pés na terra devem ir votar", afirmou o secretário-geral do PCP.

Sem grandes apelos ao voto, o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, defendeu que se o aborto for despenalizado, o Estado terá de dar dinheiro à região autónoma, que não tem capacidade para suportar o "sim" no referendo de hoje.