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Expresso

Especial Referendo

Mendes baliza futura lei

"Não troco convicções por conveniências" afirmou o líder do PSD. Marques Mendes está garante que está "tranquilo por ter assumido uma posição a título pessoal".

Marques Mendes não perdeu tempo para balizar aquilo que considera ser a futura lei sobre o aborto. O líder do PSD falou às 20h40, reconheceu claramente a vitória do Sim e a alteração legislativa que daí decorrerá – "a maioria pronunciou-se claramente no sentido de mudar a lei e essa vontade deve ser respeitada, é legítimo que assim seja" – mas colocou indirectamente a José Sócrates algumas exigências.

Mendes lembrou que "uma parte muito significativa dos eleitores votou Não", que "esses mostraram convicções igualmente fortes" e que "este referendo mostrou um país dividido". Logo, o líder social-democrata alertou para a necessidade de "evitar clivagens" e, apelando à "moderação" e ao "bom-senso", chamou a atenção para que a nova lei deverá respeitar a garantia de consultas de aconselhamento eficazes para as mulheres grávidas, bem como políticas de prevenção e de apoio antes que qualquer decisão de abortar seja tomada.

Desvalorizando as consequências para o PSD e para si próprio deste referendo, Marques Mendes defendeu que "num referendo que não é partidário não há derrotados políticos". "Estou tranquilo por ter assumido uma posição a título pessoal porque não troco convicções por conveniências", disse Mendes, sublinhando, no entanto, que também por uma questão de coerência o PSD devia adoptar o mesmo princípio de há nove anos, ou seja, não assumir uma posição oficial deixando cada um com a sua consciência.

Por último, o líder social-democrata mostrou-se satisfeito com o "excelente exemplo de cidadania" que reconheceu nos inúmeros movimentos que surgiram com esta campanha e a quem deixou um sinal de "apreço".