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Especial Referendo

CDS quer voltar a alterar a lei

Ribeiro e Castro admite outro referendo se o CDS voltar ao Governo. “Não é só a esquerda que faz referendos do dia seguinte”.

José Ribeiro e Castro prometeu o empenhamento do CDS contra a alteração da lei sobre a interrupção voluntária da gravidez e admitiu que seja feito um novo referendo sobre este assunto, se o seu partido voltar ao Governo.

“Não é só a esquerda que faz referendos do dia seguinte. Esta batalha vai continuar”, afirmou aos jornalistas, referindo-se ao facto de a esquerda ter feito este referendo por ter perdido o de 1998.

Em conferência de imprensa pouco depois das oito da noite, quando apenas existiam previsões de vitória do Sim, mas não resultados oficiais, Ribeiro e Castro considerou que a lei que resulte deste referendo será uma lei “iníqua”, que “jamais” criará na sociedade portuguesa o “consenso” e a “paz” que se estabeleceu em torno da lei de 1984. Essa sim, diz Castro, “traduzia um equilíbrio” entre os vários valores, que a nova lei não será capaz de garantir. “José Sócrates ficará responsável por uma das páginas tristes da História portuguesa”, considerou o presidente do CDS.

Sobre a actuação do seu partido, Ribeiro e Castro prometeu “examinar com todo o rigor o conteúdo e a constitucionalidade das leis e regulamentos que a maioria socialista e o Governo se preparam para adoptar para instalarem o aborto livre”. E deixou a garantia: “Seremos exigentes na aplicação do dinheiro dos contribuintes, combatendo entorses e desvios nas prioridades de saúde pública.”

Como líder do único partido que se bateu oficialmente contra a despenalização, Castro recusou assumir-se como perdedor, apesar da vitória do Sim. Pelo contrário. Nas suas declarações, ficou evidente a vontade de capitalizar os votos do Não. “Sinto o meu partido muito bem acompanhado no milhão e meio de portugueses que votaram Não”, disse, quando questionado sobre se esta seria uma derrota pessoal.

Ribeiro e Castro deixou claro que esta continuará a ser uma bandeira dos centristas, assumindo a “defesa da vida” como “matriz identitária do partido”. E lembrou que “houve partidos que mudaram (de posição), mas o CDS manteve-se fiel aos seus valores”. Uma farpa ao PSD e ao PS, e aos seus líderes – Marques Mendes não surgiu do lado do “não” com o mesmo empenho com que se viu Marcelo Rebelo de Sousa, há nove anos, e José Sócrates puxou pelo Sim e arrastou consigo o PS, ao contrário de António Guterres, que em 1998 se afirmou, “a título pessoal” como partidário do Não.

Na sede do CDS, a noite política acabou quando terminou a declaração de Ribeiro e Castro – ainda nem eram oito e meia da noite. Apesar da derrota nas urnas, o ambiente não era particularmente pesado. Talvez porque, em clima de guerrilha interna, a direcção do partido sente que ganhou algum fôlego pela forma como se empenhou nesta batalha.