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Expresso

Especial Lisboa 2007

António Costa promete “cooperação estratégica” com o Governo

O novo presidente da Câmara de Lisboa insistiu que a autarquia enfrenta uma “tripla crise: financeira, de credibilidade e de governabilidade”.

No primeiro discurso como presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa prometeu “solidariedade institucional” à Assembleia Municipal, de maioria PSD, e manifestou “disponibilidade de diálogo” como todos os vereadores eleitos nas últimas eleições.

Na tomada de posse do executivo saído das eleições intercalares de 15 de Julho, o autarca garantiu que a Assembleia Municipal poderá contar “com um escrupuloso respeito das competências, a maior diligência na satisfação de todas as informações solicitadas e uma leal solidariedade institucional”.

António Costa que já firmou um acordo político com o vereador do Bloco de Esquerda, o que não lhe garante a maioria no executivo camarário, dirigiu-se depois aos restantes vereadores para dizer que está consciente de que lhe é exigida “abertura de espírito, disponibilidade de diálogo, vontade para estabelecer pontes entre todos”. “É o que tenho feito e da minha parte podem estar certos de que assim continuarei a fazer”, afirmou assumindo implicitamente os contactos que tem mantido com José Sá Fernandes e Helena Roseta.

Ao Governo, que compareceu em peso à tomada de posse, António Costa dirigiu-se “respeitosamente” para, tal como Cavaco Silva em Belém, prometer uma relação de “cooperação estratégica”.

António Costa reafirmou as suas prioridades para Lisboa e sublinhou que “este mandato não é de grandes obras, que o tempo e a situação financeira não consentem”.

Alerta para os “blocos de interesses”

Sob o olhar de Carmona Rodrigues, agora vereador independente, a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa saudou o novo presidente da Câmara. Paula Teixeira da Cruz garantiu “solidariedade e lealdade institucional na concordância e na discordância” e assegurou que o órgão a que preside se manterá “longe de exercícios de irresponsabilidade”.

A social-democrata que preside à Assembleia Municipal alertou o novo presidente da Câmara para “os fenómenos de corrupção e de favorecimento, que sempre encontram terreno fértil na burocracia que tolhe as instituições públicas”.

Antes de citar o discurso do Presidente da República nas celebrações do 10 de Junho de 2006, em que Cavaco Silva afirmava que “a corrupção tem um potencial corrosivo para a democracia que não pode ser menosprezado”, Teixeira da Cruz deixou um aviso a António Costa: “Há blocos de interesses instalados na Cidade, que a minam e a divorciam do cidadão comum”.