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Expresso

Educação em crise

Infanta D. Maria regista paralisação "histórica"

A Escola Secundária, situada em Coimbra, registou uma "greve histórica", com a totalidade dos professores a paralisar no primeiro tempo de aulas.

A Escola Secundária Infanta D.Maria, em Coimbra, registou hoje "uma greve histórica", com a totalidade dos professores a paralisar no primeiro tempo de aulas, segundo a presidente do conselho executivo.



Em declarações aos jornalistas à porta da escola, que voltou este ano a ter a melhor média na primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário, Maria do Rosário Gama disse que nenhuma das 45 aulas com início previsto para as 08h30 estava a decorrer.



Esta adesão "demonstra o descontentamento que existe na classe docente devido ao modelo de avaliação e ao Estatuto da Carreira Docente", considerou a professora, adiantando que em greves anteriores apenas "uma meia dúzia" de professores do estabelecimento tem paralisado.



A partir das 08h00 os alunos começavam a chegar à escola, mas em muito menor número do que é habitual, segundo disseram alguns jovens. A pergunta mais ouvida entre os jovens que chegavam, carregando as mochilas, e que se dirigiam aos colegas era "Vai haver aulas?". 

"Já estava à espera que alguns professores faltassem", observou Rosa, aluna do 12º ano, que disse compreender "a revolta" dos docentes contra o modelo de avaliação. 

Embora admitindo que os alunos preferem um feriado às aulas, Rosa considerou que a greve de hoje afecta o rendimento escolar, porque já começaram os testes e porque contribui para agravar os atrasos habituais no programa que se verificam no fim do ano lectivo.



Um grupo de alunos do 8º ano ponderava, à entrada da escola, o que fazer num dia sem aulas, alvitrando alguns, os que moravam nas imediações da Infanta D. Maria, regressar a casa e outros esperar que os pais os viessem buscar ou apanhar um autocarro. 

"É bom um dia sem aulas", disse João Simões, enquanto Bárbara Oliveira notava que, apesar de preferirem não ter lições, isso significa que perdem as revisões para os testes.



De acordo com Maria do Rosário Gama, a maior parte dos alunos deverá regressar a casa, mas os que ficarem na escola, situada na Solum, uma zona nobre da cidade, poderão permanecer nos espaços de convívio ou na biblioteca.



A presidente do conselho executivo da Escola Secundária Infanta D.Maria esclareceu que a maioria dos 45 professores que dariam aulas às 08h30 não compareceu na escola e que um grupo de cerca de 15 que lá se deslocou ao início da manhã já tinha abandonado o estabelecimento pelas 10h00.