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Expresso

doclisboa 2006

Quando a realidade ultrapassa a ficção

O maior festival de cinema de Lisboa prepara-se para voltar a fazer encher a Culturgest. Muitos dos filmes do doclisboa costumam esgotar. Nesta quarta edição são cerca de 100. Os bilhetes já estão à venda. O EXPRESSO apresenta as linhas gerais da programação.

É uma espécie de curso intensivo de cinema documental. Ao longo de dez dias, entre 20 e 29 de Outubro, o doclisboa volta a levar à Culturgest documentários de todo o mundo. São cerca de uma centena de filmes, a maioria apresentados pela primeira vez em Portugal, entre os quais se encontram obras de Chantal Akerman, Makoto Satô, Amos Gitai (o realizador israelita que irá abrir o festival e que realizará uma «masterclass») ou José Pinheiro e Jorge Pires (que apresentam um documentário inédito sobre os Heróis do Mar).

O doclisboa descende dos Encontros de Cinema Documental da Malaposta e em apenas três edições transformou-se no maior festival de cinema da capital, com os cerca de 18.500 espectadores registados no ano passado.

Nuno Sena (responsável conjuntamente com Ana Strindberg pela direcção artística do evento) realça que, face à fraca aposta dos distribuidores portugueses no cinema documental e à retracção que se registou nos últimos anos neste campo, esta é a única altura do ano que o público português tem acesso a uma mostra significativa de documentários dos mais diversos pontos do globo.

Este ano o cartaz do doclisboa cresceu, na sequência do aumento do número de filmes apresentados na pré-selecção (cerca de 850). A programação está estabelecida em torno de oito secções, três das quais competitivas. A internacional (de longas ou curtas metragens produzidas entre 2005 e 2006); a nacional (de filmes do mesmo período com produção e/ou realização nacional); e a de “investigações” (obras que explorem com profundidade temas da actualidade social e política). Fora da competição haverá lugar para uma secção temática sobre o trabalho, uma mostra de cinema documental japonês, uma retrospectiva da carreira do realizador israelita Amos Gitai , uma secção de filmes em estreia em Portugal e a nova secção, “ficções do real” (de obras que reflectem sobre a relação entre a ficção e o documentário).

Paralelamente ao festival decorrerá ainda o Lisbon Docs, um fórum de financiamento e co-produção de documentários, que contará com «workshops» e «masterclass».

O êxito é do doclisboa tem sido tal que muitas das sessões costumam esgotar com alguma antecedência. Os bilhetes para esta terceira edição já estão à venda.