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À volta dos livros

As Comunidades de Leitores são já um caso de sucesso no nosso país.

Livraria Almedina, Fundação Serralves e Culturgest são apenas algumas das instituições culturais privadas que decidiram abrir as suas portas às Comunidades de Leitores (CL), sessões de discussão em torno dos livros e dos seus autores, que conquistam cada vez mais adeptos entre os portugueses.

O conceito - importado dos EUA onde vigora desde a década de 40 - surgiu em Portugal em 2001 por iniciativa do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB). Desde então passou também a ocupar espaços alternativos, nomeadamente livrarias e organizações culturais privadas.

O IPLB fundou as Comunidades de Leitores no âmbito do Programa de Itinerâncias de Promoção da Leitura e veiculou-as através da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. A importância das CL é reconhecida pelo Governo, que as integra no Plano Nacional de Leitura, por desempenharem um papel fundamental na consolidação dos hábitos de leitura e no combate à iliteracia em Portugal, significativamente superior à média europeia, tanto na população adulta, como entre crianças e jovens em idade escolar.

O conceito é simples e, tudo leva a crer, eficaz. No mínimo uma vez por mês, um grupo de pessoas reúne-se à volta dos livros, participando num acto de leitura partilhado e orientado por um moderador, com a possível presença de um escritor convidado.

"Este é um fenómeno natural e vai acabar por se enraizar no quotidiano de alguns portugueses", esclarece José Cortez, director dos Serviços do Livro do IPLB, referindo-se à crescente adesão dos cidadãos a estas iniciativas, fora e dentro dos grandes centros urbanos. "Só este ano, o IPLB tem previstas 450 acções de promoção da leitura", em parceria com as autarquias e bibliotecas municipais.

A Culturgest é também pioneira nestas andanças. Helena Vasconcelos, orientadora da comunidade ali radicada há 5 anos, faz um balanço bastante positivo da sua experiência: "Estas reuniões mudaram a minha relação com a leitura, e a de todos os que nelas participam".

As práticas literárias colectivas cumprem ainda uma função solidária, ao congregar pessoas de todas as idades e estratos sociais, diferentes profissões e com motivações diversas. "As sessões são gratuitas e abertas a quem quiser assistir, independentemente do seu nível de leitura", explica Filipa Melo, moderadora da Comunidade de Leitores da Almedina do Atrium Saldanha, desde Março de 2006.

Por esta livraria lisboeta já passaram autores portugueses contemporâneos como Lídia Jorge, Mário de Carvalho, José Eduardo Agualusa, Pedro Almeida Vieira e Hélia Correia, que durante uma a duas horas contactaram com leitores fiéis e outros públicos. Da troca de ideias resultaram, para muitos dos intervenientes, novas formas de abordagem das obras, maior percepção dos autores e da sua relação com a escrita, e experiências de leitura mais gratificantes. "Trata-se, afinal, de partilhar as experiências individuais de leitura no seio de uma comunidade".