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Expresso

Campeonato Nacional da Língua Portuguesa

A casa das letras

A Sociedade da Língua Portuguesa trabalha em prol do idioma há 57 anos.
 

Fernando Pessoa escreveu: "quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma". O poeta - que encontrou na língua a sua pátria - reflectiu sobre a oralidade e a escrita e o futuro do português. A luta que encetou em defesa da língua materna inspira ainda hoje os que trabalham na sua divulgação e preservação, como Maria Elsa Rodrigues dos Santos, presidente da Sociedade da Língua Portuguesa (SLP) desde 2002.

A dirigente, que participa activamente na SLP desde 1996, continuou um projecto iniciado há 57 anos. Apesar dos escassos recursos financeiros, a instituição promove cursos para estrangeiros e portugueses, oficinas de escrita, congressos e colóquios com a presença de escritores e poetas portugueses e dos PALOP. Às terças ou quartas-feiras têm lugar conferências no âmbito da língua e da literatura.

A SLP adquiriu recentemente o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, um sítio na Internet onde professores e linguistas procuram esclarecer cibernautas dos quatro cantos do mundo. "Os portugueses e os brasileiros são os mais participativos, mas também respondemos a perguntas de japoneses". O "vocabulário e a ortografia" suscitam mais dúvidas entre os falantes da língua, mas também são recorrentes questões de "semântica e sintaxe", explica Elsa Rodrigues.

O Tribunal da Língua Portuguesa, precursor do Ciberdúvidas, tinha na figura do provedor um implacável defensor, sempre atento às 'calinadas' no português. Assinalava e corrigia os erros de jornalistas, políticos e de outras figuras públicas, enviando posteriormente as suas explicações por correio aos visados. Um trabalho hoje assegurado por Aníbal Pedra que, no Consultório Linguístico emitido semanalmente pela RDP Internacional, analisa os erros da imprensa nacional e esclarece os ouvintes.

A biblioteca da SLP, actualmente desactivada, atraía cerca de três mil sócios às instalações da sociedade. 30 mil títulos, datados do séc. XVI em diante e importantes legados de Agostinho de Campos, Lília da Fonseca e José Pedro Machado estão armazenados temporariamente na Biblioteca Nacional, onde aguardam o regresso às estantes. "Perdemos cerca de dois mil sócios que esperamos recuperar" com a reabertura da biblioteca, uma das melhores de Lisboa no âmbito do português.

A instituição cinquentenária sobrevive com um subsídio do Ministério da Cultura, que tem sido insuficiente para resolver os problemas que se arrastam desde que foi forçada a abandonar o edifício-sede, na rua de São José, há 14 anos. As mudanças sucessivas terminaram com a cedência provisória de um prédio degradado na rua Mouzinho da Silveira, agora reclamado pela Segurança Social. Visivelmente cansada de andar com a casa às costas, Elsa Rodrigues agarra-se à promessa de mudar, em definitivo, para um palacete na Alameda das Linhas de Torres, juntamente com a Academia de História e outras instituições, dentro de dois meses.