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Expresso

Apito dourado

Multidão apoia Pinto da Costa e insulta Carolina

Uma centena de pessoas concentrou-se, esta, tarde, em frente ao Tribunal de Gondomar para assistir à entrada e saída do presidente do FC Porto e da sua ex-companheira.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A anunciada concentração dos Super Dragões junto ao Tribunal de Gondomar não se concretizou, embora perto de uma centena de pessoas tenha marcado presença no local. Pinto da Costa foi o primeiro a abandonar o Tribunal, mas fintou a multidão ao sair pela porta principal do edifício e não pela entrada secundária, onde se encontrava a maioria dos agentes da PSP e os populares.

Carolina Salgado saiu 15 minutos após Pinto da Costa, também pela porta principal, e não pela outra saída onde a multidão esperava para a insultar. Entre os manifestantes o sentimento mais comum era de apoio a Pinto da Costa, o mesmo não acontecendo em relação à sua ex-companheira, injuriada pela multidão.

A ira dos adeptos portistas acentuou-se depois da Comissão Disciplinar da Liga ter punido, sexta-feira, o FC Porto com a subtracção de seis pontos e castigado Pinto da Costa com a pena de suspensão durante dois anos.

Tanto nas punições impostas à SAD portista e ao seu líder, os depoimentos de Carolina Salvado no decurso da investigação judicial foram validados como credíveis pela Comissão Disciplinar da Liga, contribuindo, por isso, para a decisão final.

Os testemunhos de Carolina Salgado foram ainda considerados fundamentais noutros quatro processos em curso nos tribunais comuns contra Pinto da Costa. A aguardar data de julgamento encontra-se o processo relativo ao Beira-Mar FC Porto, da época 2003/04, arquivado numa primeira fase e reaberto após Carolina Salgado ter revelado que o árbitro Augusto Duarte visitara Pinto da Costa, na residência do casal, na Madalena, Gaia, na véspera do jogo. Carolina sustentou também que o árbitro recebera um envelope contendo 2.500 euros.

Em fase de acusação está o encontro FC Porto-Estrela, da mesma época. Para além das escutas, o famoso "caso da fruta" é também sustentado por depoimentos de Pinto da Costa que confirmam a alegada conivência de Pinto da Costa na oferta de prostitutas à equipa de arbitragem liderada por Jacinto Paixão.

Em fase de instrução, no Tribunal do Funchal, encontra-se um terceiro processo em que os visados são Pinto da Costa, o agente António Araújo, alegado angariador das prostitutas brasileiras, e Rui Alves, presidente do Nacional. O árbitro em causa, também alvo do processo, é de novo Augusto Duarte, já punido pela Comissão Disciplinar com seis anos de suspensão, que terá beneficiado o Nacional em detrimento do Benfica, na Madeira, em 2003/04.

Há um mês, Pinto da Costa foi ainda constituído arguido pelo Ministério Público por suspeita da prática dos crimes de branqueamento de capitais e evasão fiscal. Em causa estão diversas transferências de jogadores do FC Porto, entre as quais as de Deco para o Barcelona, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira para o Chelsea e a de Pepe do Marítimo para a equipa dos dragões. Há três semanas, a Imobiliário de Cedofeita, propriedade de Pinto da Costa, foi alvo de buscas da Polícia Judiciária por suspeita de servir de biombo para diversas transacções alegadamente ilegais. O caso foi também despoletado após declarações de carolina Salgado à equipa de Maria José Morgado.

Ainda em Abril, o presidente do FC Porto foi também pronunciado por crime de ofensa agravada ao Ministério Público. Num livro publicado em 2007, da autoria de duas jornalistas, o presidente do FC Porto terá feito comentários considerados difamatórios sobre o Ministério Público.