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Expresso

Novo Aeroporto

Ota sob fogo cruzado

Ferreira do Amaral diz estudos de localização do novo aeroporto de Lisboa talvez tenham sido limitados.

O debate sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa regressou à ordem do dia, em boa parte devido às preocupações expressas pelo PSD sobre a nova infra-estrutura. O ex-ministro das Obras Públicas, Ferreira do Amaral, em declarações à Lusa hoje (segunda-feira), considerou que os estudos de localização do novo aeroporto de Lisboa talvez tenham sido demasiado limitados, defendendo uma solução transitória como o Montijo para permitir uma escolha técnica e não política.

A opção pela Ota em detrimento de Rio Frio é a menos má de duas más opções, sintetizou há anos, um responsável governamental. Contra a Ota, concorre a orografia, a mancha urbanística, depósitos de combustível no enfiamento da pista, lençóis freáticos, falta de entrosamento com os portos de Lisboa e Sines, ou conflitualidade com as base aéreas do Montijo e Monte Real, entre outros. Contra Rio Frio, por seu turno, a questão ambiental foi determinante – não só a nível do habitat da Reserva Natural do Estuário do Tejo como pelo facto de na bacia compreendida entre os rios Tejo e Sado encontrar-se um sistema aquífero que tem o maior potencial hidrogeológico do país.

Os locais possíveis para a construção do novo aeroporto começaram a ser estudados em finais da década de 60, sobre a orientação do então GNAL (gabinete do novo Aeroporto). "Não é possível, sendo portanto de condenar, a ampliação do actual aeroporto da Portela como solução a considerar para o novo aeroporto", lê-se no relatório do GNAL de 1972.

Um outro aparente consenso deriva também deste relatório e foi seguido pela maioria dos estudos até ao início dos anos 80: "não existe qualquer hipótese aceitável de localização do novo aeroporto na margem direita do Tejo". E na esquerda, os técnicos escolhiam para objecto de estudo a Fonte da Telha; Montijo, Alcochete, Porto Alto e Rio Frio. Em 1982, os estudos alargam-se a Santa Cruz, Ota, Azambuja, Alverca, Granja (Sintra), Tires, Sacavém e Portela (não no espaço do aeroporto). Da parte da ANA-Aeroportos e Navegação Aérea, os estudos apontam a Ota como preferencial.

A partir de 1987, a investigação refina-se e sete anos mais tarde, os estudos centram-se na Ota, Montijo e Rio Frio sem existirem "conclusões francamente preferenciais". Em 1997, já só sobram Ota e Rio Frio e esta última localização acaba por ser abandonada por chumbo ambiental.