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Expresso

Como os EUA seguiram o 28 de Setembro

VIII – Contactos com a embaixada do Brasil

Isolado em Belém e sem confiança nos contactos telefónicos, Spínola encarrega Abel Pinheiro de contactar o embaixador brasileiro e convencê-lo a ser “intermediário” junto da embaixada dos EUA, da NATO e do embaixador de Espanha. Segundo o telegrama, “o embaixador brasileiro respondeu que se sentia honrado pela confiança que o Presidente Spínola depositava nele mas recusava-se a actuar como intermediário por considerar inapropriado, sugerindo que, se tais contactos eram desejados, deviam ser feitos directamente”.

Às 15 horas, Abel Pinheiro volta a avistar-se com Fontoura. O cenário é bem diferente: “Spínola atingiu um estado de desespero, tendo concluído que não tinha outra escolha senão resignar como Presidente, estando apenas a pensar na melhor forma de abandonar o poder e a quem o transmitir, bem como se deveria permanecer em Portugal ou ir para o exílio”. Este novo dado chega de pronto aos americanos. Prudente, Scott nota no telegrama que, na embaixada “não conhecemos Abel Pinheiro mas confiamos que os brasileiros estejam correctos na sua avaliação de que ele fala em nome de Spínola”. Até porque, explica, “os brasileiros estão bem informados sobre os acontecimentos em Portugal, tendo contactos particularmente estreitos com a direita”.