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Expresso

Como os EUA seguiram o 28 de Setembro

VII – As três sugestões de Spínola

De acordo com um telegrama emitido a 29, o empresário luso-brasileiro Abel Pinheiro telefona pela manhã para a residência do embaixador do Brasil. Velho amigo do general Carlos Alberto Fontoura, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (a secreta brasileira), Pinheiro apresenta-se como emissário de Spínola no sentido de procurar que este actue “como intermediário” para pedir a Richard Post, que se desloque ao Palácio de Belém.

O embaixador brasileiro encarrega o seu adido militar de contactar o homólogo norte-americano. Este, por seu turno, comunica com o embaixador Scott, que convoca uma reunião de urgência na sua residência, à Lapa. O estado-maior da embaixada americana multiplica-se em contactos e faz o ponto da situação.

O que se tinha passado? Na madrugada de 28 para 29, Spínola reunira-se com um grupo de membros do Conselho de Estado, no Palácio de Belém. Presentes, para além do próprio Spínola, os generais Costa Gomes, Galvão de Melo e Diogo Neto (todos membros da JSN), o tenente-coronel Almeida Bruno (chefe da Casa Militar) e o reitor da Universidade do Porto, Rui Luís Gomes  (o único civil).

Nos termos do telegrama assinado por Scott, Abel Pinheiro, “muito agitado, descreveu o cenário no palácio presidencial como de grande confusão, com Spínola furioso, Galvão de Melo violento (batendo com os punhos na mesa), e Costa Gomes, como sempre, indeciso”. Em debate está a situação política. São consideradas “três alternativas para evitar o que Spínola classifica como a iminente tomada do poder, ainda que legal, pelos comunistas”. A primeira hipótese seria o pedido de asilo político em Espanha por parte do general, onde procuraria o reconhecimento de um “governo provisório no exílio, instalado” no país vizinho. Segunda alternativa: pedir “a intervenção militar da NATO em Portugal”. Finalmente, sondar a Espanha sobre a eventualidade de “uma intervenção militar ao abrigo do Pacto Ibérico, que obriga ambas as partes a auxiliar a outra a repelir uma agressão (que neste caso seria o fornecimento de armas russas aos comunistas em Portugal)”.