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Expresso

Como os EUA seguiram o 28 de Setembro

VI – Barricadas nos acessos a Lisboa

Na noite de 27 para 28, o COPCON (Comando Operacional do Continente), comandado pelo brigadeiro Otelo Saraiva de Carvalho, efectua cerca de duas centenas de prisões de pessoas supostamente envolvidas na manifestação da “maioria silenciosa”, encarada como uma manobra reaccionária, senão mesmo como uma tentativa de golpe de estado. É a “noite dos facas-longas”, como lhe chamou António Maria Pereira, ele próprio um dos detidos (“A burla do 28 de Setembro”, Bertrand, 1976).

Na madrugada de 28 – a data da anunciada manifestação – a Grande Lisboa acorda com numerosas barricadas a controlar os acessos à capital. Dinamizadas por organizações como o PCP, o MDP/CDE e a Intersindical, têm ainda o apoio de numerosos partidos de extrema-esquerda. Os populares revistam todas as viaturas, em busca de armas e material de propaganda política. As barricadas alastram-se um pouco por todo o país. A tensão cresce. No centro do poder político-militar as reuniões sucedem-se. De um lado, Spínola e os seus apoiantes. Do outro, a comissão coordenadora do MFA. Ambos procuram apoios na Junta, no Governo e no Conselho de Estado, bem como entre os principais partidos. Na sombra, há quem conte espingardas, procurando adesões entre as unidades militares. São ocupadas as emissoras de rádio e televisão, onde passa a haver uma espécie de batalha de comunicados. Há mesmo movimentos de tropas e blindados. Sem escolha, às 13 horas, Spínola emite um comunicado em que declara não considerar “oportuna a manifestação”. Logo a seguir, esta é formalmente proibida pela comissão coordenadora do MFA.