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Expresso

Como os EUA seguiram o 28 de Setembro

V – Manifestação a 28 de Setembro

A 25, cartazes e pichagens, anunciam finalmente a data e o local da manifestação da “maioria silenciosa”: não será a 13 de Outubro, mas muito mais cedo, a 28 de Setembro. O local não podia ser mais emblemático: Praça do Império, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, pedindo-se que não se exibam dísticos ou bandeiras partidárias.

No dia seguinte, Spínola testa a sua popularidade durante o Concurso Hípico Internacional de Lisboa; a assistência ignora Costa Gomes e aplaude o general do monóculo que recebe um exemplar do cartaz da “maioria silenciosa”.

À hora do almoço de 26, Stuart Scott avista-se com Vítor Alves e Melo Antunes. Os dois ministros e dirigentes do MFA mostram-se “muito preocupados com a manifestação pró-Spínola, por ser um potencial foco de violência e que poderá dar azo a uma provocação da extrema-direita para estimular um golpe de direita”. Também o embaixador não entende a teimosia de Spínola em manter a manifestação, “contra os conselhos vindos de todos os lados”.

À noite, realiza-se uma tourada no Campo Pequeno, promovida pela Liga dos Combatentes. É uma espécie de ensaio geral da manifestação. A principal “estrela” é o cavaleiro João Zoio, conhecido pelas suas posições direitistas. Os aficcionados aplaudem entusiasticamente Spínola, enquanto vaiam o primeiro-ministro Vasco Gonçalves. Os dois são vistos a discutir vivamente. No final há confrontos físicos entre os populares, que obrigam a uma intervenção da PSP.