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Expresso

Como os EUA seguiram o 28 de Setembro

Spínola pediu a invasão militar da NATO

A 30 de Setembro de 1974, o general António de Spínola fala ao país, para anunciar a sua resignação do cargo de Presidente da República. Quase à mesma hora, em Washington, o Secretário de Estado Adjunto, Robert S. Ingersoll, envia um telegrama secreto para o Pentágono, CIA e Casa Branca.

O assunto é a crise em Portugal, na sequência dos acontecimentos de 28 de Setembro. Baseado em informações provenientes da embaixada em Lisboa, o telegrama informa que Spínola e outros membros do Conselho de Estado discutiram “três alternativas para evitar uma iminente tomada do poder pelos comunistas”. Uma delas aponta para uma “intervenção militar” da NATO em Portugal.

Dos 3691 telegramas diplomáticos que mencionam Portugal relativos aos anos de 1973 e 1974, desclassificados e tornados públicos pela Administração norte-americana (em www.archives.gov), nada consta sobre a reacção do então presidente Gerald Ford a tão surpreendente proposta. Como se sabe, a NATO não interveio em Portugal – só em 1994 a Aliança Atlântica teve o seu baptismo de fogo, na Bósnia-Herzegovina.