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Expresso

Como os EUA seguiram o 28 de Setembro

IX – O Presidente resigna

De 29 para 30, a situação está em vias de clarificação. Nas barricadas, forças do COPCON substituem os militantes do PCP e da extrema-esquerda. Às duas da manhã, o general Galvão de Melo é encurralado por civis e militares no Hotel Sheraton, onde fora jantar. Às cinco, Richard Post recebe um telefonema de alguém identificado pelo nome de código de “Jota”, “a propósito  do pedido de asilo” de Galvão de Melo (que não se veio a confirmar).

No dia 30, Spínola discursa perante o Conselho de Estado e a nação. Uma cronologia detalhadíssima, elaborada pela embaixada dos EUA, regista a hora do discurso: 11h33. “O meu sentido de lealdade inibe-me de trair o povo a que pertenço e para o qual sob a bandeira de uma falsa liberdade estão preparando novas formas de escravidão”. É o discurso de renúncia do cargo de Presidente. Para o seu lugar, é nomeado de imediato o general Costa Gomes, enquanto a Junta é profundamente remodelada, com a saída de quatro dos seus sete membros: Spínola, Galvão de Melo, Diogo Neto e Silvério Marques. O II Governo Provisório é exonerado e o brigadeiro Vasco Gonçalves reconduzido como primeiro-ministro de um novo gabinete. As ruas de Lisboa voltam a encher-se, desta feita para uma manifestação unitária de apoio ao MFA.

Ao princípio da tarde, Mário Soares telefona para a embaixada em nome do novo Presidente. Para “informar o Governo dos EUA que a política externa portuguesa irá manter-se e que os seus acordos internacionais, incluindo o seu compromisso com a NATO, serão respeitados”. Soares confirma que foi convidado para permanecer no cargo de ministro dos Estrangeiros e que Costa Gomes mantém a o cargo de Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. A embaixada informa Washington desconhecer o paradeiro de Spínola.