Siga-nos

Perfil

Expresso

Eleições no Reino Unido

Reino Unido: Lutar pelo voto até ao fim

No Reino Unido não há dia de reflexão e os partidos esforçam-se por levar às mesas de voto os apoiantes menos motivados. Clique para aceder ao índice do dossiê dossiê Eleições em Inglaterra.

Pedro Cordeiro, enviado a Londres (www.expresso.pt)

Além de declararem apoio a este ou àquele partido, os jornais britânicos não suspendem a cobertura dos assuntos políticos durante a jornada eleitoral. No Reino Unido não existe dia de reflexão e, se a campanha propriamente dita terminou ontem, hoje não é proibido apelar ao voto. A única restrição diz respeito às assembleias de voto.

Clique para aceder ao índice do dossiê Eleições em Inglaterra

Numa rua de Bloomsbury, o Expresso encontra uma banca cheia de propaganda liberal-democrata. O jovem que a vigia assegura que, mais do que conquistar votos à última hora, o que pretende é "explicar às pessoas onde fica a mesa de voto mais próxima". Algo difícil de crer quando a mesma está, literalmente, a cinco passos.

Além dos apelos apaixonados dos tablóides e dos mais sóbrios que surgem nos jornais ditos sérios, vêem-se em Londres carros de propaganda e crachás partidários. Nas assembleias de voto há representantes das forças políticas que anotam o número de cada eleitor que entra. Não é obrigatório responder e é isso que diz, de forma algo brusca, um jovem eleitor da mesa de Bride's Lane, perto da buliciosa Fleet Street (onde já há poucos bancos e nenhuns jornais), em plena City. O jovem recusa-se a dar os seus dados ao representante conservador.

Debates não agradaram a todos

Este, Michael, septuagenário e o típico gentleman, espanta-se com o tom do jovem. "Eu não quis propriamente apertar-lhe o pescoço!", exclama. "A ideia é só ficarmos a saber quais as pessoas, de entre as que nos apoiam, que ainda não vieram votar. Pelas seis da tarde, começamos a apertar com elas". As urnas só fecham às 22h, recorde-se.

Michael está descansado, porque este círculo eleitoral - Cities of Westminster and London - é conservador e assim vai ficar. "A nível nacional é que já não sei", reconhece. "Acho que foi muito má ideia David Cameron alinhar naquela coisa da televisão. Para quê, se estava tão à frente?", diz.

A seu ver, os debates eleitorais serviram para fragilizar a vantagem conservadora. De 19% de avanço sobre os trabalhistas, há cerca de um ano, passaram para 3 a 7%. A diferença que vai da certeza de uma vitória esmagadora à dúvida sobre se ser o partido mais votado chegará para entrar no n.º 10 de Downing Street.

Quem não precisará de ser espicaçado para ir votar são os líderes dos três maiores partidos. O primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown votou na Escócia, o conservador David Cameron em Oxfordshire e o liberal Nick Clegg em Sheffield.

Nigel Farage ferido em acidente aéreo

Acidentado foi o dia de Nigel Farage, líder do eurocéptico UKIP (Partido da Independência do Reino Unido). O avião ultraleve que o transportava caiu e o político - actualmente eurodeputado e candidato a Westminster - ficou ferido, embora não esteja em perigo de vida.