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Eleições no Reino Unido

Reino Unido: Gordon Brown anuncia demissão

Em declarações hoje à porta do número 10 de Downing Street, o líder Trabalhista aponta a razão pela qual nenhum partido foi eleito com maioria absoluta

Simon Dawson/AP

O primeiro ministro britânico anunciou a sua demissão do Partido Trabalhista ao mesmo tempo que confirmou o pedido dos Democratas Liberais para negociações formais a fim de formar um governo. Clique para aceder ao índice do dossiê Eleições em Inglaterra.

O primeiro ministro britânico Gordon Brown anunciou hoje que vai demitir-se da liderança do partido Trabalhista, ao mesmo tempo que confirmou o pedido dos Democratas Liberais para negociações formais para formar um governo.

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Em declarações hoje à porta do número 10 de Downing Street, o líder Trabalhista admitiu que a razão pela qual nenhum partido foi eleito com maioria absoluta, o que não acontecia há 36 anos, é porque "nenhum partido nem nenhum líder conseguiu ter o apoio absoluto do país".

"Como líder do meu partido, devo aceitar que é um juízo sobre mim e por isso tenciono pedir ao partido Trabalhista que inicie o processo de eleição para a liderança", afirmou.

Brown, que sucedeu a Tony Blair à frente do partido em junho de 2007, manifestou esperança de encontrar um sucessor antes do congresso do partido, no outono.

Fora da corrida

"Não tenciono tomar parte nessa corrida, nem apoiar qualquer candidato", clarificou.

O anúncio acontece após as declarações de vários membros do partido a favor de uma saída de Brown, que foi alvo de várias movimentações internas para o derrubar no passado.

O líder Trabalhista deu a conhecer a decisão numa altura em que disse ter recebido do líder dos Democratas Liberais um pedido de abertura de negociações formais para formar um governo.

As eleições de quinta feira passada acabaram sem um vencedor claro, pois os Conservadores, apesar de terem eleito o maior número de deputados, não conseguiram uma maioria absoluta.

Democratas Liberais: o terceiro partido mais votado

Os Democratas Liberais, que foram o terceiro partido mais votado, atrás dos Trabalhistas, iniciaram negociações com o partido Conservador durante o fim de semana, mas até agora não chegaram a acordo.

Além de encontros entre equipas negociadoras, Nick Clegg, líder dos Democratas Liberais, falou por telefone e encontrou-se com David Cameron, líder Conservador, várias vezes.

Todavia, também se ficou a saber que existiram encontros entre "Lib Dems" e Trabalhistas e que Clegg chegou a reunir-se pessoalmente com Brown.

De acordo com a Constituição britânica, que não é escrita, mesmo sem ter terminado em primeiro, o primeiro ministro cessante tem a oportunidade de ficar em funções para tentar formar um governo.

Brown destaca "governo progressivo"

Brown defendeu hoje existir no país uma "maioria progressiva" e que pode ser do interesse nacional formar uma "coligação governamental" entre os Trabalhistas e Democratas Liberais.

"Na minha opinião", vincou, "só um governo progressivo pode responder ao pedido de mudança política e eleitoral que o povo britânico fez na última quinta feira".

Dois objetivos comuns, salientou, são a reforma do sistema de voto para a Câmara dos Comuns, que os Democratas Liberais querem que seja proporcional, e o fim da nomeação de membros para a Câmara dos Lordes.

Embora tenha anunciado a demissão da liderança do partido, Gordon Brown não deu um prazo para a sua saída do governo se for formada uma coligação.

O primeiro ministro afirmou apenas não ter desejo de permanecer na posição "por mais tempo do que é necessário, para assegurar que o caminho para o crescimento económico fica assegurado e o processo de reforma política avança".

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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