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Eleições no Reino Unido

Inglaterra: Gordon Brown não cede o poder... por agora

Se a vitória conservadora não for por maioria absoluta, o primeiro-ministro usará a prerrogativa constitucional de ser o primeiro a tentar formar Governo. Cameron respeitará as regras, embora se sinta no direito de assumir o poder. Clique para aceder ao índice do dossiê Eleições em Inglaterra.

Pedro Cordeiro, enviado a Londres (www.expresso.pt)

Com as sondagens à boca da urna a revelarem que o Partido Conservador não terá maioria absoluta - embora seja claro que vai ser o mais votado -, Gordon Brown deu sinais de que não deixará o Governo facilmente. Ao ser reeleito deputado, o primeiro-ministro afirmou querer influenciar a formação do próximo Executivo. O líder conservador, David Cameron, lê os resultados de outra forma, sentindo-se mandatado para governar. Mas reconhece que as regras o obrigam a esperar pela iniciativa de Brown.

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O primeiro-ministro, que venceu na circunscrição escocesa de Kirkcaldy & Cowdenbeath, com 64,5% dos votos, frisou no seu discurso que "ainda não sabemos o resultado destas eleições", mas que era seu dever "desempenhar eu papel para que o Reino Unido tenha um Governo forte, estável e com princípios, que conduza o país a uma recuperação económica sustentável e cumpra o nosso compromisso de reformar profundamente o sistema político". De imediato, apanhou um avião para Londres.

Os estudos de opinião prevêem que os conservadores obtenham 307 deputados na Câmara dos Comuns, mais 95 do que os actuais (para ter maioria absoluta são precisos 326). Os trabalhistas ficariam com 255, perdendo 94, e os liberais democratas perderiam um, surpreendentemente, dadas as sondagens mais recentes.

Desilusão liberal democrata

Se a previsão se realizar, Brown fica em segundo lugar. Não obstante, na ausência de maioria absoluta, cabe-lhe ser o primeiro a tentar formar Governo. As suas palavras indicam que tentará coligar-se com os liberais democratas. Estes têm referido duas contrapartidas: a demissão do próprio Brown e a promessa de reformar o sistema político, substituindo a Câmara dos Lordes por um organismo eleito e introduzindo o sistema proporcional para eleger a Câmara dos Comuns. É mais provável que cedam na primeira do que na segunda.

David Cameron foi reeleito no círculo de Witney, em Oxfordshire, e não hesitou em afirmar que os trabalhistas "perderam o mandado para governar". Alertou, porém, que "é preciso esperar pelos resultados na sua totalidade". Frisando que a bancada parlamentar conservadora deverá ser a maior dos últimos 80 anos, garantiu saber "pôr o interesse do país à frente do do partido". O líder da oposição teve, ainda, uma palavra de conforto para os eleitores que foram impedidos de votar, considerando que evitar que a situação se repita deve ser prioritário para o futuro Executivo.

Falta, agora, ouvir Nick Clegg, o líder dos liberais democratas.Embora a sua reeleição pelo círculo de Sheffield Hallam seja segura, a contagem ainda não acabou. Os seus companheiros de partido, entretanto, vão tentando perceber como é que falharam o prognóstico de aumentarem em várias dezenas a sua bancada parlamentar. Em vez disso, podem até perder deputados.