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Expresso

Eleições no Reino Unido

Fenómeno Nick Clegg não esmorece

A média das últimas sondagens dá a Nick Clegg 28% das intenções de voto, um ponto acima dos trabalhistas chefiados por Gordon Brown, que estão no poder desde 1997

Paul Hackett/Reuters

Expresso foi assistir a uma sessão de esclarecimento do lider do Partido Liberal Democrata. Nick Clegg foi a revelação da campanha para as eleições legislativas de quinta-feira no Reino Unido. Clique para aceder ao índice do dossiê dossiê Eleições em Inglaterra.

Pedro Cordeiro, enviado a Londres (www.expresso.pt)

Na igreja de Duke Street, em Richmond-upon-Thames, não cabe mais ninguém. Os poucos lugares ainda vagos são para as dezenas de pessoas - mais a imprensa - que esperam, à porta, pela chegada do orador da tarde. Não se trata de um padre, mas de Nick Clegg.

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O líder do Partido Liberal Democrata vem ajudar a sua camarada Susan Kramer, que representa este subúrbio a sudoeste da capital, a conseguir a reeleição, ao mesmo tempo que se promove como candidato a primeiro-ministro.

Nick Clegg chega tarde, vindo de uma sessão no Centro Metodista de Londres em que ele e os outros dois aspirantes a liderar o Governo - o primeiro-ministro Gordon Brown e o conservador David Cameron - falaram, cada um de sua vez, a uma plateia de membros da organização Citizens UK, que promove a participação cívica. Qualquer dos três foi muito aplaudido à entrada, por populares que ali passavam, testemunhou o Expresso. Já em Richmond, aguardam-no cartazes e balões que vão do amarelo vivo ao laranja, cores associadas com o seu partido centrista e europeísta. Indagadas sobre os motivos do seu entusiasmo, duas jovens respondem, admiradas: "Porque não o apoiaríamos?!".

Nick Clegg diz que os britânicos estão fartos da velha politica

Nick Clegg diz que os britânicos estão fartos da velha politica

Sang Tan/AP

A média das últimas sondagens dá-lhe 28% das intenções de voto, um ponto acima dos trabalhistas chefiados por Gordon Brown, que estão no poder desde 1997. À frente vão os conservadores, mas sem maioria absoluta. "Hoje vieram dizer que não querem coligar-se connosco", diz Nick Clegg, a propósito de declarações de David Cameron a um jornal. "Mas nós nunca lhes pedimos nada!" A eventual aliança seria difícil, já que os lib-dems colocam como condição inegociável a reforma do sistema político, substituindo os círculos uninominais (que lhes são prejudiciais) por um método proporcional.

"Seja mais optimista!"

"Mas os outros partidos nunca vão alinhar nisso. Preferem uma crise política a aceitar essa mudança!", lamenta um apoiante durante o período de perguntas e respostas. "Seja mais optimista!", exorta Nick Clegg. "Quantos mais votos tivermos, mais inevitável se torna a reforma", garante, perante algumas centenas de adeptos e jornalistas vindos de Espanha - país de onde é natural a sua mulher, Miriam Gonzalez -, Portugal e Alemanha, além dos da casa.

Fim gradual das propinas universitárias, legalização dos imigrantes com cadastro limpo que entraram no Reino Unido nos últimos dez anos e revisão do acordo de defesa Trident são outras propostas dos lib-dems. Prometem também combater a corrupção, o clientelismo de que acusam conservadores e trabalhistas ("duas cliques com interesses ocultos", diz Nick Clegg). "Vamos redesenhar o mapa do país", conclui.

Se prever os resultados continua a ser uma aventura arriscada, dizer que Nick Clegg foi a figura da campanha é consensual. Pouco claro sobre que alianças estaria disposto a fazer caso não haja maioria de Governo, Clegg frisa que os seus eleitores são os de distribuição geográfica mais uniforme, o que, se o prejudica numa eleição com círculos uninominais, constitui, a seu ver, uma prova de que os britânicos estão fartos "da velha politica".