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Eleições no Reino Unido

Cameron quer governar com Clegg ao lado

O líder conservador oferece-se para fazer um acordo com os liberais democratas. Em cima da mesa está a reforma do sistema político. Clique para aceder ao índice do dossiê Eleições em Inglaterra.

Pedro Cordeiro, enviado a Londres (www.expresso.pt)

Depois da confusa noite eleitoral, o Reino Unido parece estar, esta tarde, a encaminhar-se para um Governo de centro-direita. Conservadores e liberais democratas vão tentar chegar a um acordo.

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O líder conservador, David Cameron, afirmou, desde que se conheceram os primeiros resultados, que "os trabalhistas perderam o mandato para governar". Já Gordon Brown, o primeiro-ministro derrotado, escudava-se na convenção, que estipula que, no caso raro de não haver maioria absoluta, o governante cessante é o primeiro a tentar formar uma aliança.

Brown precisaria sempre dos liberais e até tem pontos de consenso com eles, mas o líder deste partido, Nick Clegg - popularizado nos debates televisivos, uma estreia nestas eleições -, defendeu, à hora do almoço, que a prioriadade fosse dada aos conservadores, por terem tido mais votos e mais deputados. "Cabe-lhes, agora, mostrar que sabem governar em nome do interesse nacional", frisou. Brown reconheceu a legitimidade desta opção, mas declarou que se mantinha disponível.

Reforma política é indispensável

Cameron não tardou em responder. Numa conferência de imprensa dada num selecto clube de Westminster, o líder conservador referiu-se a um acordo "grande, aberto e inclusivo" com os liberais democratas. Crise económica, assuntos sociais e sistema político foram as prioridades indicadas pelo chefe dos conservadores. Avisou, porém, que na Europa, na imigração e na defesa há divergências de monta.

Clegg quer reformar o sistema político, nomeadamente com a introdução de um método de eleição proporcional e a extinção da actual Câmara dos Lordes, que inclui membros hereditários. Cameron disponibilizou-se para criar uma comissão interpartidária para estudar o assunto. Há que recordar, porém, que isso já sucedeu no tempo de Tony Blair, sem quaisquer resultados práticos. Cameron disse, ainda, que o país deve ter "rapidamente" um novo Governo. Não especificou se prefere uma coligação, em que haja ministros liberais, ou um acordo de incidência parlamentar. E Clegg não voltou a falar depois do líder conservador.

Só falta apurar um círculo eleitoral

Com apenas um lugar por apurar - a eleição em Thirsk and Malton foi adiada para 27 de Maio, por morte de um candidato -, a distribuição é a seguinte: 306 deputados para os conservadores (mais 96 do que tinham menos 20 do que os necessários para ter maioria absoluta; 258 para os trabalhistas (perdem 89); 57 para os liberais democratas (menos 5); 8 para os unionistas democráticos norte-irlandeses; 6 para os nacionalistas escoceses; 5 para o Sinn Féinn (republicanos norte-irlandeses); 3 para os nacionalistas galeses; 3 para os sociais-democratas norte-irlandeses; um para os verdes (estreia); um para a Aliança (pacifistas norte-irlandeses) e, por fim, o speaker John Bercow, que, em virtude do seu cargo, já não concorre como conservador.

De fora ficaram o partido de extrema-direita racista BNP, o eurocéptico UKIP, o Respect, que tinha um representante, e os candidatos independentes.