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Expresso

Corrida à liderança social-democrata

Santana acusa Ferreira Leite de ter ajudado o PS no "golpe de Estado" de 2005

O candidato à liderança do PSD já avisou que se ganhar as directas vai fazer uma 'purga' no partido, afastando quem prejudica os interesses do partido.

Sara Moura, na Madeira

Pedro Santana Lopes, acusou hoje no Funchal, a sua adversária Manuela Ferreira Leite de, em 2005, ter ajudado Jorge Sampaio a derrubar o governo PSD/CDS-PP a que presidia. "Em 2005 [Manuela Ferreira Leite e outros notáveis] puseram do lado daquilo a que se pode chamar um verdadeiro golpe de Estado constitucional (...) e em vez de defenderem os interesses do partido puseram-se a abrir caminho para o que Jorge Sampaio nos fazia", disse.

Numa visita "relâmpago" à Madeira, onde teve tratamento VIP por parte de Alberto João Jardim, Santana Lopes acrescentou que o presidente do Governo Regional é quem, em Portugal e no PPD/PSD, mais tem lutado pela clarificação deste sistema político que Manuela Ferreira Leite teima em seguir e que Pedro Passos Coelho assiste em silêncio.

Um sistema caracterizado por uma dança de lugares dos teóricos de um pensamento macroeconómico ultrapassado que vão trocando de cadeiras entre o CMVM, o Ministério das Finanças, o Banco de Portugal e a Caixa Geral de Depósitos, e que governam contra as autarquias e contra as Regiões Autónomas, nomeadamente a da Madeira.

Neste sentido, Santana Lopes, critica ainda Ferreira Leite por ter "excessiva consideração" por José Sócrates e por aquilo que representa.

Quanto a Pedro Passos Coelho, o líder parlamentar do PSD disse que os nomes conhecidos que apoiam aquela candidatura convergem a determinados sectores financeiros e profissionais que acabam por servir os "caminhos e propósitos" de José Sócrates.

Talvez seja por estas razões que Pedro Santana Lopes já avisou que se ganhar as directas vai fazer uma 'purga' no partido, apelando a uma votação expressiva na Madeira e no Continente que legitime o seu poder.

"Desta vez não estou disposto a ser enganado outra vez nem a transigir e é por isso que digo que nunca mais aceitarei o poder de outrem, que quero seguir o caminho reforçado por legitimidade própria e depois trilhar no partido um caminho de impor a ordem a autoridade", disse acrescentando que irá contribuir para uma "limpeza do partido num clima de alguma bagunça" que prejudica os interesses essenciais do PSD.

"Pretendo ser intransigente na defesa desse caminho, porque é isso que exige a defesa do partido, e é isso que os militantes querem, pois sem essa clarificação não podemos caminhar com força para poder derrotar o Engenheiro José Sócrates nas próximas eleições", acrescentou. Dizendo "Por amor de Deus, estamos aqui para vencer em 2009, não interessa a maioria absoluta, interessa sim ganhar o PS".

O presidente do Governo Regional da Madeira reforçou hoje na Quinta Vigia o apoio a Santana Lopes na corrida à liderança do PSD e garantiu que irá votar nas directas.

"O apoio ao Dr. Pedro Santana Lopes está dado (...) mas se quiserem volto a reforçá-lo" disse Alberto João Jardim, acrescentando que subscreve as posições tomadas pelo "amigo" de partido.

Depois de um almoço com Jardim e uma reunião com os autarcas madeirenses, Santana Lopes que teve direito a tratamento VIP na Madeira, garantiu não ter passado uma "rasteira" a Jardim nesta corrida à liderança e o presidente do Governo regional anuiu.

Estando de acordo com as posições defendidas por Jardim relativamente à Lei das Finanças Regionais e ao aprofundamento autonómico, Santana Lopes disse que o chefe do executivo madeirense é um "campeão da autonomia", e ao mesmo tempo um "patriota", concordando com as suas posições em relação a estas matérias.

"O caminho mais correcto para Portugal é o aprofundar da autonomia, é entregar aos órgãos de governo próprio a competência para aprofundar a autonomia e são essas decisões que alguns negam e que resultam de um preconceito", disse garantindo que se for Governo irá trabalhar no sentido de alterar a Lei das Finanças Regionais e no aprofundamento autonómico.