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Expresso

Corrida à liderança social-democrata

Ferreira Leite e Passos Coelho querem fim do SNS gratuito para todos

Esta posição de Ferreira Leite e Passos Coelho foi assumida no primeiro debate televisivo entre os candidatos à liderança do PSD.

Os candidatos à liderança do PSD Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho declararam-se hoje a favor do fim do Serviço Nacional de Saúde (SNS) tendencialmente gratuito para todos, defendendo que sirva quem tem menos recursos.

Esta posição de Ferreira Leite e Passos Coelho foi assumida no primeiro debate televisivo entre os candidatos à liderança do PSD, realizado durante o Jornal Nacional da TVI, que durou cerca de uma hora e em que também participaram Pedro Santana Lopes e Mário Patinha Antão.

"A política da saúde vai ter muito dificuldade em ser financiada da forma como é. Considero que o SNS gratuito ou tendencialmente gratuito para todos é um aspecto que provavelmente vai ter que ser revisto", afirmou Manuela Ferreira Leite.

"Uma coisa é o SNS ser um bom serviço, de qualidade, prestado às pessoas que não têm outro tipo de recursos; outra coisa é ser um serviço que acaba por ser mau para todos", expôs.

Segundo a ex-ministra das Finanças, "aqueles que têm muitos recursos não usam esse mau serviço, pagam impostos para manter esse serviço e simultaneamente tornam a pagar o serviço porque vão aos serviços privados".

A candidata à liderança do PSD concluiu que defende "um SNS de qualidade para prestar serviços aos que mais necessitam, aos que têm menos recursos", sustentando que "é uma boa forma de baixar os impostos e criar um melhor serviço de saúde para quem mais precisa".

"Eu concordo com este princípio de acabar com a universalidade na área da saúde e não só", declarou, a seguir, Pedro Passos Coelho.

Manuela Ferreira Leite acrescentou que a mudança de sistema implica "uma entidade reguladora forte e independente, como é evidente".

"Eu não sou liberal na área da saúde, considero que é necessário um SNS universal, tendencialmente gratuito, com as taxas moderadoras de que há pouco falei", contrapôs Pedro Santana Lopes, referindo-se às taxas moderadoras em função do rendimento, mas não sobre os internamentos e cirurgias.

O ex-primeiro-ministro adiantou que é um "defensor dos seguros de saúde" e de "uma separação clara entre o público e o privado" nesta área.

"Na educação sou mais favorável ao papel dos privados, ao cheque-ensino. Na saúde sou mais defensor da presença do Estado", resumiu Santana Lopes.

Por sua vez, Patinha Antão, ex-secretário de Estado do ministro da Saúde Luís Filipe Pereira defendeu que a "transformação estrutural" no sector iniciada pelo seu executivo - chefiado por Pedro Santana Lopes - deveria ter sido prosseguida.